Anvisa alerta que deepfakes com famosos e médicos estão sendo usados para vender remédios e suplementos ilegais no Brasil.
A manipulação digital das imagens e vozes de figuras conhecidas cria falsas recomendações que impulsionam vendas de produtos não regularizados.
A prática é investigada pela Anvisa e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que já identificaram diversos casos de fraude em redes sociais, aplicativos de mensagens e sites fora do padrão farmacêutico permitido.
🔔 Fique por dentro dos seus direitos — grupos gratuitos no WhatsApp
Benefícios, INSS, concursos e alertas do governo avisados na hora, sem pagar nada.
RECEBER ALERTAS →O que são deepfakes de IA e por que oferecem risco à saúde?
Deepfakes de IA são vídeos, áudios ou imagens manipulados digitalmente para recriar de forma realista falas e aparências de pessoas famosas, inclusive profissionais de saúde. O principal risco está na indução do uso de produtos que não têm eficácia comprovada, podem conter substâncias nocivas e, em muitos casos, nem sequer passaram pela avaliação rigorosa da Anvisa.
Quando uma figura pública ou um suposto médico recomenda um remédio ou suplemento em vídeo, o consumidor tende a confiar, mas pode estar diante de uma fraude.
“Essas práticas criam uma falsa segurança e potencializam o consumo de itens clandestinos que podem desencadear reações adversas graves e até gerar risco de morte”, ressalta a agência.
Como os criminosos utilizam a imagem de famosos e médicos?
A atuação criminosa se dá por meio de ferramentas de IA generativa capazes de, a partir de poucas imagens ou gravações de voz, criar conteúdos altamente convincentes.
Assim, personalidades midiáticas aparecem em vídeos ou áudios dizendo frases que jamais disseram, indicando o uso de determinados produtos e prometendo resultados rápidos e sem riscos.
A Anvisa identificou uma escalada na produção desse tipo de conteúdo a partir de 2024, sobretudo em plataformas de redes sociais e aplicativos de troca de mensagens.
Na maioria dos casos, o público alvo são pessoas com doenças crônicas, idosos ou indivíduos em busca de emagrecimento rápido, soluções para dor, rejuvenescimento e outras promessas de saúde fácil.
Mesmo médicos consentidos podem ter sua imagem e voz capturadas e alteradas para inserir falas falsas, inclusive atestando benefícios inexistentes.
Medicamentos e suplementos vendidos com deepfakes: o que diz a lei?
No Brasil, somente farmácias regularizadas e seus sites oficiais podem vender medicamentos. A comercialização em redes sociais, marketplaces, carros de som, ambulantes ou intermediários não autorizados é proibida e configura infração sanitária, sujeita a multa e outras sanções.
Suplementos alimentares não podem ser anunciados como tratamento, cura ou prevenção de doenças. Essa afirmação é proibida explicitamente pela Anvisa porque não há comprovação científica para tal, e esses produtos destinam-se apenas à suplementação em pessoas saudáveis.
“Produto vendido fora desses parâmetros é irregular e pode ser falsificado”, reforça a agência.
A legislação exige que toda publicidade médica traga, além do nome completo do profissional, número do CRM e estado, bem como a titulação (RQE) se houver especialidade. O CFM alerta para consultas ao registro médico antes de confiar em orientações digitais atribuídas a médicos.
Como identificar um deepfake e proteger sua saúde?
A principal orientação é desconfiar de vídeos ou áudios em que figuras conhecidas recomendam remédios, suplementos ou “soluções naturais” para problemas de saúde. Sinais comuns de manipulação incluem entonação da fala levemente artificial, movimentos de boca desalinhados ou fundos digitais borrados.
Outra recomendação é nunca comprar medicamentos ou suplementos por redes sociais, WhatsApp ou sites desconhecidos. No caso de dúvidas sobre um profissional, consulte sempre o site oficial do CFM e, para produtos, utilize a ferramenta de consulta da Anvisa para verificar a regularização do fabricante.
Promessas de cura rápida, ausência de efeitos colaterais e resultados 100% naturais são apelativos típicos de golpes. Mesmo produtos fitoterápicos (à base de plantas) exigem registro sanitário e podem causar danos se usados sem supervisão.
Sites, redes sociais e anúncios: onde há mais deepfakes de IA ligados à saúde?
Segundo a Anvisa, a maioria das campanhas criminosas circula em grupos privados de aplicativos de mensagem, perfis patrocinados em redes sociais e sites paralelos, que imitam visualmente páginas de farmácias renomadas.
Anúncios pagos ou “posts virais” em plataformas como Instagram, Facebook, TikTok e YouTube são alvos frequentes do uso de deepfakes para vender desde cápsulas “milagrosas” até cremes de efeito inexistente, especialmente próximos de datas festivas ou eventos com alta cobertura midiática.
É comum a utilização de nomes de famosos que sequer têm relação real com o produto, usando rostos e vozes clonados digitalmente.

Regras para divulgação de conteúdo médico: atenção às exigências legais
Conforme Resolução 2.336/2023 do CFM, postagens e anúncios ligados à medicina precisam trazer identificação completa do profissional: nome, número do CRM e do RQE (caso de especialistas). A ausência dessas informações já é indício de fraude.
Além disso, médicos não podem prometer resultados exatos ou universalizar tratamentos – cada paciente possui histórico e condições próprias, exigindo avaliação personalizada. Conteúdos que desrespeitam essas normas podem ser denunciados à ouvidoria do CFM.
Quais os riscos de consumir medicamentos ou suplementos vendidos por deepfakes?
Medicamentos e suplementos comercializados nessas condições podem estar contaminados, conter doses inadequadas de substâncias, não apresentar o princípio ativo ou, ainda, causar intoxicação. Sem controle de qualidade da Anvisa, não existe garantia de segurança ou eficácia.
Em muitos casos, o uso desses produtos pode agravar doenças preexistentes, provocar alterações indesejadas no organismo, atrapalhar o funcionamento de outros remédios e até mascarar sintomas de condições graves.
Canais oficiais para checar médicos, produtos e denúncias
- Conferir registros profissionais de médicos: buscar médico no CFM.
- Consultar aprovação de medicamentos, suplementos e fitoterápicos: consulta de produtos na Anvisa.
- Registrar denúncia de fraude: Ouvidoria da Anvisa.
Em caso de suspeita, mantenha registros (prints/vídeos) do conteúdo para fins de fiscalização.
O que fazer ao receber conteúdo suspeito de deepfake?
Evite compartilhar o material e oriente seus contatos sobre os riscos. Ao identificar vídeos, áudios ou posts duvidosos, consulte fontes oficiais antes de tomar qualquer decisão sobre saúde e consumo. Prefira sempre a consulta presencial ou teleconsulta por canais autenticados, nunca confie cegamente apenas no ambiente virtual.
Ao suspeitar de fraude, envie relato detalhado para a Anvisa ou CFM, com o máximo de informações (inclusive links e prints). Isso contribui para a proteção coletiva e dificulta a atuação de criminosos digitais.
Continue acompanhando as notícias do Alerta Gov para mais informações.












