Entre setembro e novembro, o Brasil poderá registrar até cinco ondas de calor, número acima da média histórica para o período. A previsão consta em um novo boletim do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e está associada à influência do fenômeno El Niño.
De acordo com o Inmet, as temperaturas devem permanecer acima da média em grande parte do território brasileiro ao longo dos próximos meses. Apesar do cenário de calor mais intenso, a entrada de massas de ar frio ainda poderá provocar quedas acentuadas nos termômetros neste mês de setembro.
Tendência de aumento nas ondas de calor
Dados do Inmet mostram que a quantidade de ondas de calor registrada entre setembro e novembro vem aumentando de forma gradual desde 1979, independentemente da presença do El Niño. Segundo o instituto, essa tendência está diretamente relacionada ao avanço do aquecimento global.
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RECEBER ALERTAS →Chuvas e riscos relacionados na Região Sul
Na região Sul, setembro deve trazer chuvas acima da média e temperaturas elevadas, fatores que elevam a disponibilidade de água no solo. Esse cenário ajuda a reduzir o risco de geadas tardias, mas, ao mesmo tempo, o excesso de umidade pode gerar consequências para o setor agrícola, agravando a incidência de doenças nas lavouras, atrasando o plantio das culturas de verão e prejudicando a qualidade dos grãos.
O impacto nas lavouras exemplifica como o excesso de chuva, apesar de diminuir a possibilidade de geadas, traz desafios para a produção agrícola. Ao longo desse trimestre, o acompanhamento do tempo será importante para produtores da região Sul.
El Niño “super”: intensidade e projeções
O termo “super El Niño” é usado popularmente para fenômenos classificados como muito fortes, caracterizados por índices de temperatura oceânica acima de 2°C da média. As projeções do Inmet indicam mais de 90% de probabilidade de o fenômeno atingir esse patamar entre setembro e novembro.
“A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) também indica que há 69% de probabilidade de o evento El Niño de 2026/27 ser o mais forte desde 1950, com anomalias de temperatura podendo superar 2,5 °C”, diz outro trecho do boletim.

Imagem: Reprodução/ NOAA
Áreas de Santa Catarina sob risco de chuva extrema
Seis regiões de Santa Catarina apresentam maior propensão a episódios de chuva extrema durante o trimestre sob influência do El Niño: Oeste, Meio-Oeste, Planalto, Vale do Itajaí, Grande Florianópolis e Sul catarinense. Nessas áreas, há tendência para chuvas intensas concentradas em poucos dias, aumentando o risco de alagamentos, enxurradas, deslizamentos e inundações.
O histórico de anos com El Niño forte ou muito forte evidencia esse padrão, demandando atenção ampliada das defesas civis locais e dos moradores.
Efeitos em outras regiões
No Rio Grande do Sul, o aumento dos extremos climáticos é ainda mais relevante, especialmente em episódios de chuva prolongada. No Paraná, embora os efeitos sejam mais localizados, algumas áreas, como Sudoeste, Centro-Sul, Região Metropolitana de Curitiba, Serra do Mar e litoral, também devem redobrar a atenção para a possibilidade de eventos de precipitação intensa.
O Inmet destaca que a análise evidencia “maior propensão” a situações críticas, sem, no entanto, garantir a ocorrência exata de eventos extremos ou desastres nessas áreas.
“A combinação de temperaturas elevadas e chuvas abaixo da média nas regiões central e norte do país pode intensificar o déficit hídrico e aumentar o risco de incêndios florestais, especialmente caso ocorra atraso no início da estação chuvosa. Na Amazônia Legal e no Pantanal, o trimestre setembro-outubro-novembro normalmente marca a transição do período seco para o chuvoso. A atuação de um El Niño mais intenso e prolongado pode atrasar esse processo, mantendo as condições de estiagem por mais tempo e deixando o solo e a vegetação mais suscetíveis ao fogo”, disse o Inmet.
Primavera e o aumento dos riscos em Santa Catarina
Com a primavera iniciando em 22 de setembro, Santa Catarina intensifica a preocupação quanto à frequência e à intensidade dos sistemas responsáveis por chuvas e temporais. No inverno de 2026, o estado já havia registrado chuvas acima da média e mais temporais. A primavera, tradicionalmente mais chuvosa e instável, pode, sob a intensificação do El Niño, ampliar ainda mais episódios de precipitação severa e tempestades.
Como o El Niño altera o comportamento do clima?
O El Niño ocorre quando há aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico, especialmente na faixa próxima à costa do Peru. Essa mudança interfere na circulação atmosférica, altera o comportamento dos ventos e pode modificar a distribuição das chuvas em diferentes partes do planeta.
No Sul do Brasil, o fenômeno costuma favorecer a permanência de sistemas meteorológicos por mais tempo, aumentando a possibilidade de chuvas persistentes e volumes elevados de precipitação.
Já a La Niña representa a situação oposta, com o resfriamento das águas do Pacífico. Esse padrão pode provocar mudanças distintas no regime de chuvas e, em áreas como Santa Catarina, costuma estar associado a períodos com menor volume de precipitação.
Orientações para população e medidas preventivas
O Inmet orienta que moradores das áreas afetadas acompanhem os alertas meteorológicos e os comunicados emitidos pelas defesas civis locais, especialmente diante da possibilidade de mudanças bruscas nas condições do tempo.
O instituto informou ainda que, em conjunto com o INPE e outras instituições que integram o Painel El Niño 2026-2027, seguirá monitorando a evolução do fenômeno. As análises e previsões serão atualizadas periodicamente para apoiar medidas de prevenção, preparação e gerenciamento de riscos.
“À população, recomenda-se manter atualizado o cadastro para recebimento dos alertas da Defesa Civil, conhecer as áreas de risco e as rotas de fuga de sua localidade e adotar as medidas de autoproteção sempre que houver previsão ou ocorrência de eventos adversos”, disse o Inmet.
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