Segundo a nova atualização divulgada pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) nesta quinta-feira (3), o El Niño já está firmemente estabelecido e deve se intensificar nos próximos meses, atingindo o nível “muito forte”. Isso aumenta o risco de eventos climáticos extremos em diversos continentes até fevereiro de 2027.
Confira, a seguir, o que é o El Niño, o que indicam as previsões e quais são os impactos esperados no Brasil.
O que é o El Niño e como ele se forma
O El Niño é o aquecimento fora do comum das águas da superfície do Oceano Pacífico, nas porções central e leste, perto da linha do equador. Esse calor extra muda a circulação da atmosfera e altera o regime de chuvas e de temperatura em boa parte do planeta.
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RECEBER ALERTAS →O fenômeno costuma aparecer a cada dois a sete anos e dura, em geral, de nove a doze meses. Ele começa a se formar entre março e junho, atinge o auge entre novembro e fevereiro e influencia com mais força as temperaturas globais no ano seguinte ao seu início.
Previsões atualizadas para o El Niño em 2026
A OMM classifica o El Niño em quatro níveis: fraco, moderado, forte e muito forte. Na atualização divulgada nesta quinta-feira (3), a organização alerta que o fenômeno deve atingir o nível “muito forte”.
O principal sinal dessa intensificação está no aquecimento das águas do Pacífico: as temperaturas ficaram, em média, 1,5°C acima do normal entre maio e julho de 2026, subiram para 2°C acima do normal em julho e chegaram a registrar entre 2,2°C e 2,6°C acima da média entre o final de julho e meados de agosto.
Segundo a nova atualização da OMM, as previsões sazonais dos centros de produção globais da organização apontam probabilidade excepcionalmente elevada, próxima de 100%, de que o El Niño persista até fevereiro de 2027.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, afirmou que o mundo vive atualmente uma situação de “alto risco” diante de eventos climáticos extremos, e destacou que a natureza excepcional deste episódio exige respostas e preparação adequadas.
Como os anos de El Niño costumam registrar recordes de calor, cresce o risco de novas máximas de temperatura no período.
Como referência, o último El Niño, em 2023-2024, foi um dos cinco mais fortes já medidos e ajudou a fazer de 2024 o ano mais quente da história recente.
Impactos esperados do El Niño 2026 no Brasil

No Brasil, o clima do fenômeno é acompanhado de perto por um boletim feito em conjunto por vários órgãos oficiais:
- O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET);
- O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe);
- A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA);
- O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden);
- Serviço Geológico do Brasil (SGB);
- E a Defesa Civil Nacional.
Para o período de setembro a novembro de 2026, a previsão desses órgãos aponta efeitos diferentes conforme a região:
- No Sul: chuvas acima da média, o que aumenta o risco de temporais e alagamentos;
- No centro-norte do país: chuvas abaixo da média, favorecendo a estiagem;
- Em quase todo o Brasil: aumento da probabilidade de temperaturas acima da média em quase todas as áreas continentais, com mais ondas de calor e maior risco de incêndios florestais.
Por causa desse cenário, os órgãos também monitoram o nível dos rios e dos reservatórios e ficam atentos ao risco de inundações e deslizamentos.
A situação exige atenção redobrada na Amazônia, onde a seca pode durar mais que o normal. Quando os rios baixam demais, comunidades ribeirinhas ficam isoladas e o transporte de alimentos é prejudicado, como já aconteceu na seca severa de 2023 e 2024.
O calor e a falta de chuva também pressionam o fornecimento de energia: queimadas perto das redes de transmissão podem causar desligamentos e deixar regiões sem luz.
Medidas de preparação e onde se informar
Para os especialistas, a resposta mais eficaz é a ação antecipada e coordenada entre os diferentes níveis de governo. O monitoramento contínuo e o planejamento integrado ajudam a reduzir os efeitos do fenômeno sobre a população.
Para o cidadão, a orientação é acompanhar as atualizações dos órgãos oficiais e seguir as recomendações da Defesa Civil, especialmente as medidas de autoproteção em caso de chuvas fortes, deslizamentos, estiagem ou calor extremo.
O boletim brasileiro é atualizado mensalmente, com informações que apoiam decisões nas áreas de agricultura, água e gestão de riscos.
Fenômenos como o El Niño mostram como o clima influencia a vida de todos, do preço dos alimentos ao abastecimento de água e energia.
Continue acessando o Alerta Gov para ficar por dentro das atualizações oficiais sobre o clima e outros temas que afetam o seu dia a dia.











