O universo dos microempreendedores individuais (MEI) no Brasil está prestes a passar por uma transformação importante.
O novo projeto de lei complementar enviado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última segunda-feira (29) ao Congresso busca atualizar as regras do teto de faturamento, ampliando o limite e abrindo novas possibilidades de contratação.
Essa iniciativa impacta diretamente mais de 13 milhões de trabalhadores que dependem do modelo simplificado para formalizar seus pequenos negócios, combater a informalidade e gerar emprego em milhares de municípios pelo país.
Além do aumento do teto de faturamento, a proposta também flexibiliza a estrutura de contratação de mão de obra, permitindo que cada microempreendedor possa registrar até dois funcionários.
Trata-se de uma demanda antiga dos pequenos empresários, que agora encontra respaldo institucional para promover o crescimento sustentável desse segmento fundamental para a economia nacional.
Entenda a proposta de atualização do limite para MEI
O projeto de lei complementar anunciado pelo governo estabelece um reajuste progressivo no teto de faturamento anual para o MEI: em 2027, o novo limite será de R$ 110 mil, sendo elevado para R$ 140 mil a partir de 2028. Essa revisão busca corrigir uma defasagem que se acumula desde 2018, quando o teto vigente entrou em vigor.
Segundo o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP), a correção dos valores acompanha o avanço da inflação e o crescimento real das receitas, reduzindo o risco de exclusão dos microempreendedores do regime simplificado.
Dessa forma, quem administra pequenos negócios passa a contar com mais segurança jurídica e margem para expandir suas atividades sem a preocupação de romper o teto por questões meramente inflacionárias.
Razões para a atualização
Com a inflação acumulada nos últimos anos e o aumento natural das receitas, o limite anterior tornou-se cada vez mais restritivo. Muitos empreendedores eram obrigados a migrar para categorias tributárias mais complexas, encarecendo a operação e, em muitos casos, estimulando o retorno à informalidade.
A proposta do governo visa justamente combater esse efeito, preservando os incentivos à formalização e ao desenvolvimento dos pequenos negócios.
Nova regra de contratação: até dois funcionários para o MEI
A possibilidade de contratar até dois funcionários representa uma das mudanças mais aguardadas pelo setor. Até então, o MEI só podia ter um empregado registrado.
Agora, com o avanço da proposta, cada microempreendedor poderá ampliar sua equipe formalmente, tanto para responder ao aumento da demanda quanto para adaptar-se às novas normativas trabalhistas em discussão no Congresso, como a possível redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1.

Impactos esperados na economia nacional
Os pequenos negócios são responsáveis por movimentar a economia e gerar empregos em todas as regiões do país. Com a nova proposta, a expectativa do governo e de entidades ligadas ao empreendedorismo é que o ambiente se torne ainda mais propício para que milhões de brasileiros possam expandir seus negócios e contribuir para a criação de novos postos formais de trabalho.
O ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, destacou que o ajuste foi uma construção coletiva entre diversas pastas, como o Ministério da Fazenda, o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, e o Ministério da Inovação em Serviços Públicos.
O caminho legislativo e os próximos passos
Após aprovação, os MEIs que se enquadrarem nos novos limites poderão optar pela manutenção do seu enquadramento, com benefícios tributários restritos e menor burocracia, mas terão de acompanhar de perto seus faturamentos anuais e ajustar seus modelos de contratação e controle de funcionários.
Como se preparar para as alterações no MEI
Empreendedores interessados em aproveitar o novo limite e contratar até dois funcionários devem realizar um planejamento detalhado, revisando fluxos de caixa, margens de lucro e necessidades de pessoal.
É recomendável investir em controles financeiros básicos, manter registros atualizados e consultar um contador de confiança para garantir a transição suave para a nova legislação, sempre que aprovada.
Além disso, é fundamental acompanhar de perto as discussões no Congresso e buscar informações junto a entidades de classe, Sebrae, secretarias municipais e recursos oficiais para evitar surpresas ou equívocos na adoção das novas regras.
Pontos de atenção e possíveis desafios
A ampliação dos limites de faturamento não elimina todos os desafios enfrentados pelos microempreendedores individuais. A necessidade de controle rigoroso dos rendimentos permanece central, já que a fiscalização pode ser intensificada para evitar fraudes e garantir a correta utilização da categoria.
Também é importante destacar que os aspectos trabalhistas e tributários podem variar de acordo com as legislações estaduais e municipais, exigindo do MEI atenção redobrada na condução do negócio.
Por fim, mesmo com a nova possibilidade de contratação, haverá obrigações legais, como manter a carteira assinada dos colaboradores, cumprir com o recolhimento do FGTS, INSS e outros encargos previstos na legislação trabalhista.
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