Na última terça-feira (30), o Senado aprovou o Projeto de Lei 727/2026, que autoriza a comercialização e o porte de aerossol à base de extratos vegetais — conhecido popularmente como spray de pimenta — para uso em defesa pessoal por mulheres em todo o território nacional. Após a votação simbólica no plenário, a proposta segue agora para sanção presidencial.
A aprovação do texto repercutiu amplamente e reacendeu debates sobre segurança pública, direito à legítima defesa e os limites da responsabilidade no uso desse tipo de dispositivo. O tema chamou a atenção de especialistas, ativistas e da sociedade em geral.
Nos últimos anos, o debate sobre a proteção das mulheres ganhou ainda mais destaque diante do aumento dos índices de violência de gênero.
Nesse contexto, a autorização para aquisição e porte do spray de pimenta por mulheres adultas desperta tanto o interesse de quem busca mecanismos de proteção quanto questionamentos sobre regras de uso e possíveis penalidades em casos de utilização indevida.
Como funciona a nova lei do spray de pimenta
O texto do projeto especifica que o spray de pimenta passa a ser permitido para mulheres com mais de 18 anos, desde que o uso seja exclusivamente para defesa pessoal.
Jovens entre 16 e 18 anos poderão adquirir o produto, porém, apenas com autorização expressa dos responsáveis legais. Essa exigência busca trazer mais segurança ao processo e garantir que o uso esteja alinhado ao objetivo original da lei: aumentar a proteção das mulheres.
Outra novidade é a responsabilidade dos estabelecimentos comerciais, que deverão manter um registro simplificado com os dados da compradora, arquivando essas informações por cinco anos. Essa prática visa facilitar eventuais investigações e prevenir o uso indevido ou repasses a terceiros.
Regras para comercialização e uso
O projeto de lei traz uma série de diretrizes claras sobre a produção e comercialização do aerossol. Entre elas, destaca-se a obrigatoriedade de que o produto seja de uso individual e intransferível. Também está expressamente proibida a utilização de substâncias com efeito letal ou toxicidade permanente, reduzindo riscos graves à saúde e à vida.
As especificações técnicas e de segurança ainda serão definidas por órgãos do Poder Executivo, garantindo que apenas produtos dentro dos padrões exigidos possam ser vendidos. Isso traz mais confiabilidade para quem pretende se proteger e mais fiscalização contra irregularidades no mercado.
Penalidades para uso indevido
Uma das preocupações centrais discutidas foi o mau uso do spray de pimenta. Para evitar abusos, como aplicar o dispositivo fora das situações de legítima defesa, a lei prevê penalidades rígidas.
Quem utilizar o spray de maneira inadequada pode ser advertido, receber multa que varia de um a dez salários mínimos, além de ter o produto apreendido e ficar proibido de adquirir outro por até cinco anos.
Caso haja reincidência, o valor da multa será dobrado, reforçando o caráter educativo e punitivo da legislação. Tais medidas visam coibir seu uso como instrumento de agressão, ao mesmo tempo que protegem o direito à autodefesa legítima das mulheres.

Novidade: Programa Nacional de Capacitação
O projeto também institui o Programa Nacional de Capacitação em Defesa Pessoal e Uso de Instrumentos de Menor Potencial Ofensivo para Mulheres, que será implementado gradualmente.
A intenção é promover treinamentos e orientações sobre autodefesa e manuseio responsável do spray, ampliando o acesso à informação e reduzindo riscos de acidentes ou equívocos no uso do produto.
Com a criação desse programa, espera-se que mulheres brasileiras estejam mais preparadas para lidar com situações de ameaça, sem recorrer ao uso indevido do dispositivo. A capacitação é considerada essencial para garantir que o direito à defesa pessoal seja exercido de forma consciente e segura.
O impacto da medida na segurança feminina
A aprovação do spray de pimenta vem recebendo apoio de diversos setores, principalmente daqueles ligados à defesa dos direitos das mulheres. O dispositivo é visto como uma ferramenta importante para fortalecer a autonomia feminina frente à violência, especialmente em ambientes urbanos.
Ao mesmo tempo, autoridades e juristas reforçam que o spray de pimenta deve ser encarado apenas como último recurso em uma situação de legítima defesa. O ideal é que as mulheres tenham acesso a uma rede completa de proteção, incluindo políticas públicas contra a violência, programas preventivos e canais de denúncia sempre ativos.
Desafios e debates em aberto
Uma das principais discussões em torno da lei envolve a fiscalização do comércio e uso do produto. O registro das vendas e a definição clara de critérios para comercialização são pontos que irão exigir atenção redobrada de comerciantes e autoridades.
Também se discute a eficácia e necessidade de campanhas educativas voltadas para mulheres de diferentes regiões do país, considerando diferenças culturais e de acesso à informação.
O que muda na rotina das mulheres a partir de agora?
É importante destacar que, ao adquirir o produto, a responsabilidade pelo uso correto passa a ser também da compradora. Assim, entender as regras, receber a capacitação adequada e ter consciência das penalidades envolvidas são passos fundamentais para evitar transtornos futuros.
Os estabelecimentos comerciais preparados para vender o produto precisam se adaptar às exigências do novo texto legal, registrando corretamente todos os dados de compra para futuras fiscalizações.
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