O volume de dinheiro esquecido em bancos e outras instituições financeiras caiu para R$ 6,24 bilhões, segundo o balanço de maio do Banco Central, divulgado em 14 de julho de 2026.
O montante já passou de R$ 10 bilhões e recuou após o repasse de R$ 5,7 bilhões a um fundo que apoia o programa Desenrola Brasil. Mesmo com a transferência, ainda sobram bilhões à espera dos donos: qualquer pessoa ou empresa pode ter valores parados sem saber.
Confira a seguir o que é esse dinheiro, como consultar pelo CPF e para onde foi a parte que saiu do sistema.
O que é o dinheiro esquecido e como consultar pelo CPF
O “dinheiro esquecido” é todo valor que ficou parado em uma instituição financeira sem que o dono retirasse.
Pode vir de contas-correntes ou poupanças encerradas com saldo, tarifas ou parcelas de empréstimo cobradas a mais, cotas de consórcios não resgatadas, cotas de cooperativas de crédito e contas de pagamento ou investimento fechadas com dinheiro dentro.
O Banco Central reúne tudo isso no Sistema de Valores a Receber (SVR), plataforma que centraliza os registros e permite pedir a devolução pela internet.
A consulta é gratuita e deve ser feita apenas pelo site oficial do Sistema de Valores a Receber.
Veja o passo a passo:
- Acesse o SVR e informe o CPF ou CNPJ, com os dados solicitados;
- Verifique se há valores em seu nome;
- Faça login com a conta Gov.br de nível prata ou ouro, usando a verificação em duas etapas;
- Peça a devolução e informe uma chave PIX, de preferência do tipo CPF, para receber o depósito;
- Sem chave PIX, combine outra forma de recebimento diretamente com a instituição financeira.
A consulta também vale para pessoas falecidas: nesse caso, o pedido é feito por um herdeiro, inventariante, testamentário ou representante legal, que usa a própria conta Gov.br e preenche um termo de responsabilidade.
Para empresas, o acesso é pelo CNPJ, com os dados do representante legal.
Para onde foi o dinheiro transferido
O dinheiro que saiu do sistema não sumiu: apenas mudou de lugar. Uma lei de 2024, a Lei nº 14.973/2024, permitiu que os valores não resgatados dentro do prazo fossem usados para outra finalidade.
Assim, R$ 5,7 bilhões foram enviados a um fundo do governo que dá suporte ao Desenrola Brasil, o programa que ajuda as pessoas a renegociar dívidas.
De acordo com a Agência Brasil, que divulgou os dados do Banco Central, essa transferência ainda está sendo analisada pelo Tribunal de Contas da União, o órgão que fiscaliza o uso do dinheiro público.
Mesmo assim, o próprio Banco Central garante que separou pelo menos 10% do valor para devolver a quem fizer o pedido mais tarde. E há uma boa notícia: desde que o sistema de consulta começou, R$ 15,47 bilhões já voltaram para os donos.
Quanto ainda pode ser sacado

Mesmo após o repasse, ainda há R$ 6,24 bilhões guardados esperando os donos. Esse dinheiro se divide assim:
| Quem tem a receber | Valor | Beneficiários |
|---|---|---|
| Pessoas físicas | R$ 4,44 bilhões | 24,08 milhões |
| Empresas | R$ 1,8 bilhão | 2,27 milhões |
A maior parte está parada nos bancos. Veja onde o dinheiro se encontra, do maior para o menor:
| Onde está o dinheiro | Valor a devolver |
|---|---|
| Bancos | R$ 2,91 bilhões |
| Administradoras de consórcio | R$ 2,25 bilhões |
| Cooperativas de crédito | R$ 586,7 milhões |
| Instituições de pagamento | R$ 311,5 milhões |
| Financeiras | R$ 106,3 milhões |
| Corretoras e distribuidoras | R$ 71 milhões |
| Outras instituições | R$ 8,8 milhões |
Quanto cada pessoa costuma receber
Antes de criar expectativa, um alerta: na maioria dos casos, o valor a receber é pequeno. Segundo o Banco Central, as quantias disponíveis se distribuem da seguinte forma:
- Até R$ 10: 67,6% dos beneficiários, quase sete em cada dez;
- De R$ 10,01 a R$ 100: 19,5%;
- De R$ 100,01 a R$ 1 mil: 10,4%;
- Mais de R$ 1 mil: 2,46%.
Os dados mostram que apenas uma minoria tem valores expressivos a sacar. Ainda assim, como a consulta é gratuita e rápida, a recomendação é verificar, já que o dinheiro pertence ao titular independentemente do montante. As informações foram divulgadas pelo Banco Central e noticiadas pela Agência Brasil.
Resgate automático: receba sem precisar pedir de novo
O Banco Central oferece uma forma prática de não perder novos valores: o resgate automático. Ele é voltado a pessoas físicas que usam o CPF como chave PIX.
Depois de ativar essa opção no Sistema de Valores a Receber, qualquer novo valor identificado no seu nome cai direto na conta, sem que você precise fazer um novo pedido.
Vale um aviso: o recurso não funciona para empresas, contas conjuntas nem para instituições que ainda não aderiram ao sistema. Nesses casos, a solicitação segue sendo feita manualmente, pelo próprio SVR.
Fique atento aos golpes
Todo o processo é gratuito e acontece apenas no site oficial do Banco Central. Como o dinheiro esquecido virou assunto popular, golpistas se aproveitam do tema, e é bom saber como se proteger:
- O Banco Central não envia links por e-mail, SMS ou WhatsApp;
- O governo não liga pedindo dados pessoais, senhas ou confirmação de conta;
- Não existe qualquer taxa para liberar o valor: se cobrarem, é golpe;
- Na dúvida, não clique em links recebidos e acesse você mesmo o site oficial.
Desconfie de qualquer mensagem que fuja do sistema oficial. Nenhum contato de fora do site do Banco Central é confiável.
Não deixe seu dinheiro parado: consulte agora pelo CPF e descubra em poucos minutos se há valores à sua espera. E acompanhe todos os dias o portal Alerta Gov para não perder nenhuma novidade sobre os seus direitos!
Se você descobriu que tem dinheiro parado para resgatar, vale checar também outro valor que muita gente esquece: o ressarcimento do PIS/Pasep. Assista ao vídeo e veja o passo a passo completo para receber o que é seu!












