A Polícia Federal indiciou Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, e outras 47 pessoas por descontos indevidos que chegaram a R$ 6,3 bilhões em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS entre 2019 e 2024.
O inquérito concluído aponta que o grupo descontava mensalidades de aposentados e pensionistas sem autorização ou vínculo associativo legítimo, canalizando grandes valores da folha de pagamentos do INSS para entidades que não tinham relação direta com os beneficiários.
O empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e o ex-presidente do órgão Alessandro Stefanuto estão entre os principais indiciados na investigação, que teve início após denúncias de irregularidades ligadas à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer).
O relatório foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. O documento permanece em segredo de Justiça e os detalhes específicos das acusações não foram divulgados publicamente.
Como funcionava o esquema de descontos ilegais em benefícios do INSS
O esquema praticado envolvia a cobrança automática de mensalidades alegando filiação a associações ligadas a aposentados e pensionistas. No entanto, a maioria dos descontos era realizada sem autorização legítima dos titulares dos benefícios do INSS.
Esses valores eram descontados mensalmente, simulando uma adesão jamais consentida, impactando negativamente a renda de milhares de idosos e trabalhadores rurais que dependiam do benefício previdenciário para viver.
Quem são os principais envolvidos e qual era o papel da Conafer?
Entre os indiciados, destacam-se o empresário Antonio Carlos Camilo Antunes (Careca do INSS) e membros da diretoria do INSS, incluindo o ex-presidente Alessandro Stefanuto. A Conafer foi identificada como uma das entidades que mais concentrou descontos indevidos, sendo alvo principal das apurações da PF.
A atuação da confederação consistia em registrar filiações fictícias e executar descontos sem consentimento dos supostos associados, violando as normas de proteção ao aposentado previstas pela legislação previdenciária vigente.

Como foi conduzida a investigação e qual o valor estimado do desvio?
A apuração começou na Controladoria-Geral da União (CGU) em 2023. Em abril de 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Sem Desconto, tornando o caso público, e o inquérito foi concluído em julho de 2026.
O valor total dos descontos indevidos chegou a R$ 6,3 bilhões, considerando registros levantados entre 2019 e 2024. O montante reflete o volume e a duração do esquema, que atingiu aposentados em diversos estados do país.
Qual foi o desdobramento judicial e a resposta das defesas?
O relatório da PF foi entregue ao STF, que mantém o caso em segredo de Justiça. A defesa de Careca do INSS informou que ainda não teve acesso ao teor integral da investigação e preferiu não comentar o indiciamento. O ex-presidente do INSS e representantes da Conafer não se manifestaram publicamente até o momento.
A expectativa agora é pelo posicionamento do Ministério Público e pelo andamento dos processos judiciais que podem resultar em novas denúncias, bloqueio de bens e eventual ressarcimento aos cofres públicos e aos aposentados prejudicados.
Quais são os próximos passos e como os aposentados podem se proteger?
Com o encerramento da primeira etapa da investigação, o processo segue para análise do Ministério Público e, eventualmente, abertura de novas ações penais pelos crimes apurados.
Os aposentados e pensionistas devem acompanhar seus extratos de pagamento mensalmente e denunciar qualquer desconto não autorizado por meio dos canais oficiais do INSS.
Se identificado desconto inadequado, o recomendado é registrar reclamação diretamente pelo Meu INSS ou central telefônica 135, informando a irregularidade e solicitando o ressarcimento dos valores caso a fraude seja confirmada.
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