O Ministério da Saúde divulgou um novo relatório de monitoramento de incêndios florestais e seus efeitos sobre a saúde.
O levantamento, referente à semana de 5 a 11 de julho, mapeia os focos de calor, a qualidade do ar e a população exposta à fumaça no país.
Segundo o boletim, foram registrados 1.153 focos de calor no período, com atenção especial para os estados mais atingidos e para os grupos de maior risco, como idosos, crianças e gestantes.
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RECEBER ALERTAS →O alerta ocorre em meio ao El Niño, que favorece calor, estiagem e queimadas. Confira, a seguir, os estados mais afetados, os riscos à saúde e as recomendações oficiais para se proteger.
Estados e municípios mais afetados pelos focos de calor
De acordo com o informe do Ministério da Saúde, a maior densidade de focos de calor na semana se concentraram no Tocantins e no Mato Grosso. No ranking por número de focos, os seis estados à frente foram:
- Tocantins, com 227 focos;
- Mato Grosso, com 181;
- Bahia, com 122;
- Maranhão, com 119;
- Pará, com 115;
- Minas Gerais, com 71.
Entre as cidades, os maiores números de focos encontrados em Paranatinga (MT), Mateiros (TO), Altamira (PA), Lagoa da Confusão (TO), Guadalupe (PI) e Goiatins (TO). Bahia e Minas Gerais ficaram acima da média histórica para o período.
Qualidade do ar: onde a fumaça mais compromete a respiração
Além dos focos, o relatório acompanha o material particulado fino, o MP2,5, partículas de até 2,5 micrômetros que penetram no fundo no sistema respiratório e estão ligadas a problemas respiratórios e cardiovasculares.
Na semana, 752 municípios, cerca de 13,5% do país, tiveram concentração desse poluente acima do limite da Organização Mundial da Saúde por pelo menos dois dias seguidos.
Os estados com cidades nessa situação foram Amazonas, Bahia, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.
O tamanho da população atingida chama a atenção. Só nesses municípios, o Ministério da Saúde estima que ficaram expostos a níveis acima do recomendado:
| População exposta à fumaça | Estimativa |
|---|---|
| Total de pessoas | 19,3 milhões |
| Crianças de até 4 anos | cerca de 1 milhão |
| Idosos com 60 anos ou mais | mais de 3,6 milhões |
Grupos mais vulneráveis e os riscos à saúde

A exposição prolongada à fumaça pode agravar doenças respiratórias e cardiovasculares já existentes e aumentar atendimentos e internações. Por isso, alguns grupos bloqueiam a atenção redobrada.
Crianças menores de 5 anos, idosos acima de 60 anos e gestantes devem procurar atendimento médico ao primeiro sinal de sintomas respiratórios.
Já as pessoas com doenças cardíacas, respiratórias ou imunológicas precisam manter o tratamento e os medicamentos em dia e, se possível, considerar o afastamento temporário das áreas mais afetadas.
Por que o alerta acontece agora: o papel do El Niño
O monitoramento ocorre durante o El Niño, ocorrência de aquecimento das águas do Oceano Pacífico que segue em curso, com previsão de durar até o início de 2027.
Para o trimestre de julho a setembro, a expectativa é de chuvas acima da média no Sul, abaixo do esperado no Centro-Norte e temperaturas mais altas que o normal em quase todo o país. É um cenário que favorece ondas de calor, estiagem e incêndios florestais em áreas mais secas.
Para acompanhar esses efeitos, o Ministério mantém ferramentas como o Painel de Excesso de Calor, que monitora diariamente as condições de temperatura nos municípios.
Recomendações do Ministério da Saúde para se proteger
Para reduzir a exposição à fumaça, o conjunto de orientações práticas à população. Os principais são:
- acompanhar as previsões do tempo e os alertas oficiais sobre queimadas e qualidade do ar;
- beber água com frequência para manter as vias respiratórias hidratadas;
- evitar esforços físicos e exercícios ao ar livre quando o ar estiver comprometido, sobretudo entre 12h e 16h;
- manter portas e janelas fechadas e permanência em ambientes internos protegidos da fumaça;
- ao dirigir, manter os vidros fechados e o ar condicionado no modo de recirculação;
- usar máscaras do tipo N95, PFF2 ou P100, bem ajustadas ao rosto, quando precisar sair.
O informe orienta ainda não preparar alimentos em fogões a lenha, soltar tiros nem fogos de artifício, não queimar fogueiras e fazer a limpeza de cinzas com panos úmidos, para não espalhar as partículas finas no ar.
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