A agência climática da ONU elevou nesta sexta-feira (3) o alerta para o rápido desenvolvimento de um El Niño forte nos próximos meses, capaz de puxar as temperaturas globais para cima.
Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o fenômeno já está em curso no Oceano Pacífico e deve se intensificar entre julho e setembro, aumentando o risco de eventos climáticos extremos em vários continentes.
Confira, a seguir, o que é o El Niño, o que dizem as previsões para 2026 e quais impactos são esperados no Brasil.
O que é o El Niño e como ele se forma
O El Niño é o aquecimento fora do comum das águas da superfície do Oceano Pacífico, nas porções central e leste, perto da linha do equador. Esse calor extra muda a circulação da atmosfera e altera o regime de chuvas e de temperatura em boa parte do planeta.
O fenômeno costuma aparecer a cada dois a sete anos e dura, em geral, de nove a doze meses. Ele começa a se formar entre março e junho, atinge o auge entre novembro e fevereiro e influencia com mais força as temperaturas globais no ano seguinte ao seu início.
Previsões atualizadas para o El Niño em 2026
A OMM classifica o El Niño em quatro níveis: fraco, moderado, forte e muito forte. A previsão atual aponta para um episódio forte, com aquecimento consistente das águas do Pacífico e anomalias de temperatura do mar acima de 2°C nas áreas monitoradas.
Segundo o cientista da OMM Álvaro Silva, em declaração à Agência Brasil, há um consenso notável entre os modelos de que este será um El Niño forte, o que dá alta confiança à previsão. A agência não descarta revisar o alerta para muito forte, caso novos dados confirmem essa tendência.
A probabilidade de o fenômeno seguir ativo até pelo menos o início de 2027 está acima de 90%. Como os anos de El Niño costumam registrar recordes de calor, cresce o risco de novas máximas de temperatura no período.
Como referência, o último El Niño, em 2023-2024, foi um dos cinco mais fortes já medidos e ajudou a fazer de 2024 o ano mais quente da história recente.
Impactos esperados do El Niño 2026 no Brasil

No Brasil, o clima do fenômeno é acompanhado de perto por um boletim feito em conjunto por vários órgãos oficiais: o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), o Inpe, a ANA, o Cemaden, o Serviço Geológico do Brasil e a Defesa Civil Nacional.
Para o período de julho a setembro, a previsão desses órgãos aponta efeitos diferentes conforme a região:
- No Sul: chuvas acima da média, o que aumenta o risco de temporais e alagamentos;
- No centro-norte do país: chuvas abaixo da média, favorecendo a estiagem;
- Em quase todo o Brasil: temperaturas acima da média no segundo semestre, com mais ondas de calor e maior risco de incêndios florestais.
Por causa desse cenário, os órgãos também monitoram o nível dos rios e dos reservatórios e ficam atentos ao risco de inundações e deslizamentos.
A situação exige atenção redobrada na Amazônia, onde a seca pode durar mais que o normal. Quando os rios baixam demais, comunidades ribeirinhas ficam isoladas e o transporte de alimentos é prejudicado, como já aconteceu na seca severa de 2023 e 2024.
O calor e a falta de chuva também pressionam o fornecimento de energia: queimadas perto das redes de transmissão podem causar desligamentos e deixar regiões sem luz.
Medidas de preparação e onde se informar
Para os especialistas, a resposta mais eficaz é a ação antecipada e coordenada entre os diferentes níveis de governo. O monitoramento contínuo e o planejamento integrado ajudam a reduzir os efeitos do fenômeno sobre a população.
Para o cidadão, a orientação é acompanhar as atualizações dos órgãos oficiais e seguir as recomendações da Defesa Civil, especialmente as medidas de autoproteção em caso de chuvas fortes, deslizamentos, estiagem ou calor extremo.
O boletim brasileiro é atualizado mensalmente, com informações que apoiam decisões nas áreas de agricultura, água e gestão de riscos.
Fenômenos como o El Niño mostram como o clima influencia a vida de todos, do preço dos alimentos ao abastecimento de água e energia.
Acompanhar informação de fonte confiável é o primeiro passo para se preparar e reduzir riscos. Continue no Alerta Gov e fique por dentro das atualizações oficiais sobre o clima e outros temas que afetam o seu dia a dia!












