A projeção do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) para 2026 subiu de 4,6% para 5,3%. O dado importa porque o INPC é o índice usado como referência para reajustar o salário mínimo e corrigir os benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
A revisão foi divulgada em 15 de julho, no Boletim MacroFiscal da Secretaria de Política Econômica (SPE), do Ministério da Fazenda.
É preciso cautela com o número: trata-se de uma projeção, não do valor fechado, e ele não altera os benefícios que já estão sendo pagos em 2026.
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RECEBER ALERTAS →Confira, a seguir, o que é o INPC, o que essa projeção significa e por que a inflação prevista subiu.
O que é o INPC
O INPC mede a inflação sentida pelas famílias de renda mais baixa, com ganhos de 1 a 5 salários mínimos, e é calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Ele se diferencia do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que considera uma faixa maior de renda, de 1 a 40 salários mínimos, e é o indicador usado como referência para a meta de inflação do país.
Entre os benefícios, os pagos no valor do piso acompanham o próprio salário mínimo, enquanto os que ficam acima do piso são corrigidos pelo INPC.
O que a projeção significa (e o que não significa)
Os 5,3% são uma projeção da Fazenda, e não o INPC oficial fechado, que é medido e divulgado pelo IBGE. O reajuste de fato vai depender do INPC efetivamente acumulado no período de referência.
Além disso, a correção pelo INPC de 2026 deve aparecer apenas no ciclo de reajuste seguinte, em janeiro. Ou seja, não há mudança imediata nos valores pagos aos beneficiários ao longo de 2026.
Vale lembrar ainda que o reajuste do salário mínimo combina duas partes: a reposição da inflação, baseada no INPC, e um ganho real, previsto na regra de valorização.
Por isso, o índice projetado não representa, sozinho, o reajuste total do mínimo. Na prática, o piso costuma subir acima da inflação justamente por causa desse ganho real.
Por que a inflação prevista subiu

Segundo a SPE, a revisão reflete pressões em vários setores. Nos alimentos, pesaram os itens in natura, o leite e derivados, o arroz e o feijão, com altas acima do padrão para a época do ano.
Também houve avanço nos serviços, caso das passagens aéreas, e nos bens industriais, como artigos de higiene pessoal. O boletim aponta ainda os efeitos da alta do petróleo, ligada ao conflito no Oriente Médio, e o risco maior de El Niño, fenômeno climático que pode reduzir a oferta de alimentos e elevar os preços nos supermercados.
Do outro lado, a Fazenda cita fatores que devem ajudar a conter os preços no segundo semestre, como o câmbio mais valorizado, os juros elevados (com a Selic projetada em 14% ao ano) e a desaceleração da economia.
O cenário de inflação em 2026
Na mesma revisão, a Fazenda também elevou a projeção do IPCA de 2026, de 4,5% para 5,1%. Com isso, a inflação prevista ficou acima do teto da meta.
O que é esse teto? A meta de inflação é de 3% ao ano, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Como há uma margem de 1,5 ponto para mais ou para menos, o limite máximo aceitável fica em 4,5%. A projeção de 5,1% passou desse limite.
O INPC, por sua vez, deve ficar um pouco acima do IPCA. Isso acontece porque os alimentos, que subiram mais, pesam mais no bolso das famílias de renda baixa, justamente o público que o INPC acompanha.
Veja o resumo das projeções:
| Indicador | Projeção anterior | Nova projeção |
|---|---|---|
| INPC 2026 | 4,6% | 5,3% |
| IPCA 2026 | 4,5% | 5,1% |
| IPCA 2027 | 3,5% | 3,6% |
| PIB 2026 | 2,3% | 2,3% (mantido) |
Nos 12 meses até junho, o IPCA acumulado ficou em 4,64%. A previsão de crescimento da economia (o PIB, ou Produto Interno Bruto) foi mantida em 2,3% para 2026. E, para os próximos anos, a Fazenda espera que a inflação volte a se aproximar da meta de 3%.
Por enquanto, o 5,3% é só um sinal de alerta. O valor que vai chegar de fato ao salário mínimo e aos benefícios só será conhecido quando o INPC do período for fechado pelo IBGE.
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