O Senado deve retomar em agosto as discussões sobre o fim da escala 6×1, com a PEC 221/2019 propondo a redução de 44 para 40 horas semanais, sem corte de salários. O tema volta após o recesso parlamentar, com sessões de esforço concentrado já agendadas entre 10 e 14 de agosto e de 31 de agosto a 3 de setembro.
A proposta recebeu sinal verde na Câmara e, no Senado, está sob análise de comissões, conforme decisão do presidente Davi Alcolumbre, que já se reuniu tanto com centrais sindicais quanto com representantes do setor empresarial. O governo federal trata a medida como prioridade absoluta, sinalizando intenção de votação mesmo durante o período eleitoral.
Confira, a seguir, o que muda com a PEC, os argumentos de apoio e oposição, além de propostas alternativas em tramitação sobre o tempo de trabalho no Brasil.
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RECEBER ALERTAS →O que prevê a PEC 221/2019 sobre a escala 6×1?
A PEC 221/2019 determina o fim da escala 6×1 – regime em que o trabalhador atua seis dias e tem apenas um dia de descanso semanal – e estabelece máximo de 40 horas trabalhadas por semana, sem redução do salário vigente.
O texto foi aprovado na Câmara dos Deputados no final de maio e, desde então, aguarda trâmite nas comissões do Senado.
O novo modelo pretende modernizar a legislação trabalhista, atendendo antigas demandas sindicais para aumento do tempo de descanso do trabalhador brasileiro.
Quando o Senado pode votar a proposta?
Estão previstas semanas de esforço concentrado no Senado entre 10 e 14 de agosto e de 31 de agosto a 3 de setembro para analisar e, possivelmente, votar a PEC do fim da escala 6×1.
O calendário acompanha as sessões intensificadas também na Câmara dos Deputados, permitindo debates simultâneos entre as duas Casas.
Apesar do período eleitoral, o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), declarou que a votação é prioridade e que o Senado funcionará, inclusive remotamente, para não atrasar o exame da proposta.
Quem defende o avanço da PEC e por quê?
Entre os principais defensores está o senador Paulo Paim (PT-RS), que vê na medida uma necessidade histórica para os trabalhadores, afirmando que países com jornada menor costumam alcançar maior produtividade por hora. Paim reforça que a pauta é de interesse coletivo e não pertence a divisões partidárias.
O senador Cleitinho (Republicanos-MG) também apoia a mudança, destacando a incoerência de muitos parlamentares trabalharem bem menos em período eleitoral enquanto a maioria dos trabalhadores permanece no regime atual.

Quais são as críticas e preocupações dos opositores?
Senadores da oposição, como Rogério Marinho (PL-RN), defendem que o debate sobre tempo de trabalho aconteça fora do calendário eleitoral para garantir uma análise aprofundada e evitar decisões precipitadas. Ele cobra estudos de impactos econômico e social sobre a redução da carga semanal.
Jayme Campos (União-MT) apoia a PEC, mas alerta para a necessidade de diálogo amplo com todos os setores envolvidos, priorizando um equilíbrio entre qualidade de vida dos trabalhadores e a competitividade das empresas brasileiras.
Existe alternativa à PEC do fim da escala 6×1?
Além da PEC 221, tramita no Senado a PEC 12/2026, que sugere negociações individuais de tempo de trabalho, prevendo férias, FGTS e 13º salário proporcionais à jornada.
A proposta foi apresentada após a chegada do texto principal ao Senado e cria possibilidade legal de acordo flexível entre empregado e empregador.
Outra proposta, o PL 1.838/2026, propõe 40 horas semanais e dois repousos remunerados de 24 horas. Essa matéria, originada do Executivo, permanece na Câmara após o governo retirar o pedido de urgência, à espera de novo posicionamento com o desenrolar da PEC 221 no Senado.
Como foi o trâmite das propostas na Câmara?
No processo inicial na Câmara dos Deputados, a PEC 221 analisou temas em conjunto à PEC 8/2025, apresentada por Érika Hilton (PSOL-SP), que defendia semana de quatro dias e carga máxima de 36 horas. A alternativa foi arquivada.
O debate na Câmara também evidenciou disputas entre diferentes setores, com forte pressão das centrais sindicais e ressalvas do empresariado quanto ao impacto no custo operacional e nos índices de emprego.
Próximos passos
A decisão final depende ainda de análise do plenário do Senado e, se aprovada, passará a depender de promulgação para entrar em vigor.
A movimentação política prevista para agosto pode ser determinante no ritmo das mudanças trabalhistas no Brasil em 2026.
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