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Governo quer fim da escala 6×1 sem redução de salário e mais descanso ao trabalhador

Proposta enviada ao Congresso prevê jornada semanal menor.

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Manifestação com faixa defendendo o fim da escala 6x1 e mais descanso para trabalhadores

Confira o que prevê a proposta de fim da escala 6x1 no Brasil. Imagem: Agência Brasil

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Por Thais Reis em 07/05/2026 às 07h24
Atualizado em 07/05/2026 às 07h27

O governo federal intensificou em 2026 o debate sobre o fim da escala 6×1 no Brasil, modelo em que o trabalhador atua durante seis dias seguidos e descansa apenas um.

A proposta defendida pelo Executivo prevê redução da jornada semanal sem corte salarial, além da ampliação dos períodos de descanso.

O tema ganhou força após o envio de um projeto de lei ao Congresso Nacional com mudanças na jornada máxima de trabalho prevista na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

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Contexto atual da escala 6×1 no Brasil

A escala 6×1 está prevista pela Constituição Federal de 1988, que estabelece jornada máxima de 8 horas diárias e 44 horas semanais.

O modelo permite ao empregador organizar o tempo de trabalho em seis dias seguidos com apenas uma folga semanal — geralmente em domingos rotativos ou em outro dia útil escolhido pela empresa.

Os números atuais mostram a dimensão social do tema. Três em cada dez trabalhadores ainda atuam nesse formato, segundo dados citados pelo Ministério da Fazenda.

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O perfil de quem cumpre a escala 6×1 está concentrado em setores específicos da economia. Os principais são:

  • Comércio varejista, especialmente shoppings, supermercados e lojas de rua
  • Serviços de alimentação como restaurantes, lanchonetes e padarias
  • Segurança privada e portaria 24 horas em condomínios e empresas
  • Logística e entregas, com motoristas e operadores de armazém
  • Atendimento ao público em hospitais, postos de combustível e farmácias

Especialistas em saúde do trabalho relacionam a jornada estendida ao aumento dos casos de burnout no país. A síndrome, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como doença ocupacional que afeta muitos trabalhadores.

A mobilização social pela mudança ganhou força no início de 2025, com a apresentação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) na Câmara dos Deputados.

A iniciativa partiu da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e reuniu 234 assinaturas — 53 a mais que o mínimo regimental exigido — com adesão de parlamentares de todos os estados e diferentes espectros ideológicos.

Autoridade durante audiência sobre proposta de mudança na jornada de trabalho
Veja os detalhes da proposta do governo para alterar a jornada de trabalho e acabar com a escala 6×1. Imagem: Agência Brasil

Detalhes da proposta governamental para alteração da jornada

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou os pilares da posição oficial em entrevista ao programa Bom Dia Ministro, na quarta-feira, 6 de maio. A produção é da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) em coprodução com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

“Vamos fazer questão de incluir, em qualquer medida que seja aprovada no Congresso, a proteção à não redução de salário. Não vai haver redução de salário”, afirmou o ministro durante a entrevista.

Os pontos centrais defendidos pela equipe econômica são:

  • Transição do modelo atual para uma organização com dois dias de folga semanal, em vez de apenas um
  • Garantia de manutenção integral dos salários como requisito obrigatório do texto enviado ao Parlamento
  • Reconhecimento dos ganhos de produtividade decorrentes de avanços tecnológicos e digitais das últimas décadas
  • Rejeição a benefícios fiscais ou desonerações como compensação para empresas que aderirem à mudança
  • Diálogo permanente com os diferentes setores produtivos para avaliar especificidades de cada segmento da economia

Durigan defendeu o reconhecimento das transformações estruturais no trabalho.

“Estamos reconhecendo que o mundo avançou, as pessoas estão mais produtivas, há ganhos digitais, de comunicação e é preciso reconhecer sem passar a conta para a população”, afirmou o ministro durante a entrevista.

A proposta governamental se diferencia da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) já em tramitação na Câmara, embora compartilhe o mesmo objetivo geral.

O texto da deputada Erika Hilton prevê jornada máxima de 36 horas semanais distribuída em até quatro dias por semana, com no máximo 8 horas diárias — proposta mais ampla do que o modelo apresentado pelo Executivo até agora.

Impactos esperados para os trabalhadores

As consequências práticas da mudança chegariam de forma diferenciada conforme o setor e o perfil de cada trabalhador. O efeito mais imediato seria sobre a rotina diária. Os principais ganhos esperados pela equipe econômica do governo são:

  • Mais tempo de presença com filhos, cônjuges e familiares próximos
  • Possibilidade de retomada de estudos, capacitação profissional e atividades de longo prazo
  • Redução do risco de adoecimento mental, especialmente quadros de ansiedade e depressão associados à exaustão
  • Melhora do desempenho físico, com redução de queixas musculoesqueléticas comuns em jornadas extensas
  • Maior margem para atividades de lazer, esporte e socialização fora do ambiente de trabalho

A questão da saúde mental tem peso no debate atual. Durigan reforçou em entrevista a preocupação com o estado do trabalhador atual, ao afirmar que está em risco a saúde de quem já vive próximo do esgotamento crônico causado pela rotina cansativa.

Possíveis desafios na implementação da nova jornada

A trajetória até a aprovação final da medida ainda enfrenta desafios no Congresso e no debate público. A resistência mais forte parte de setores empresariais que temem aumento de custos sem compensação compatível com o ritmo das próprias operações.

Os pontos identificados pelos especialistas são:

  • Resistência de setores específicos como comércio varejista, restaurantes e segurança privada, que dependem de cobertura prolongada
  • Necessidade de contratação adicional para manter o atendimento em estabelecimentos de operação contínua
  • Eventual aumento dos preços ao consumidor caso o repasse de custos não seja absorvido pelos ganhos de produtividade
  • Dificuldade de ajuste em cidades pequenas onde estabelecimentos têm equipes enxutas e margem operacional reduzida
  • Tempo de tramitação no Congresso, com necessidade de aprovação por três quintos em cada casa para mudanças constitucionais

Pesquisas econômicas apresentam resultados divergentes sobre o efeito da mudança no Produto Interno Bruto (PIB) e na inflação nacional.

Parte dos estudos aponta efeito neutro ou positivo sobre a produtividade, enquanto outros indicam pressão inflacionária no curto prazo, com transição desafiadora para alguns setores produtivos.

Acompanhe diariamente o portal Alerta Gov e fique por dentro de todas as atualizações sobre os direitos trabalhistas.

Tags: descanso semanal escala 6x1jornada de trabalho escala 6x1proposta governo jornada de trabalho 2026
Thais Reis

Thais Reis

Graduada em Pedagogia. Redatora especialista em Benefícios Sociais e Direitos do Cidadão do grupo Sena Online.

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