O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta quinta-feira (25) a senadora Teresa Leitão (PT-PE) como nova líder do governo no Senado. Ela vai substituir Jaques Wagner (PT-BA), que deixou a função na quarta-feira (24).
Lula afirmou que a senadora terá a missão de articular a aprovação de pautas como o fim da escala de trabalho 6×1 e a PEC da Segurança. A indicação ocorre logo após a saída de Wagner, alvo de uma investigação da Polícia Federal (PF).
Veja, a seguir, quem é Teresa Leitão, por que ela foi escolhida e o que levou à saída de Wagner.
Quem é Teresa Leitão
Teresa Leitão será a primeira mulher a ocupar a liderança do governo no Senado na atual gestão de Lula. Aos 74 anos, é pedagoga, professora e tem trajetória ligada ao movimento sindical da educação.
Eleita senadora em 2022 com mais de 2 milhões de votos, foi a primeira mulher a representar Pernambuco na Casa. Antes, cumpriu cinco mandatos como deputada estadual no estado.
Seu mandato vai até 2031, e ela já era líder do PT no Senado desde abril deste ano. No Senado, integra as comissões de Educação e Cultura, de Ciência e Tecnologia e do Esporte.
As missões da nova líder
O líder do governo no Senado é o senador encarregado de defender as propostas do Executivo e de negociar apoio entre os parlamentares. Trata-se de um dos cargos mais importantes da articulação política do governo no Congresso.
Entre as prioridades citadas por Lula está o fim da escala 6×1, regime em que o trabalhador folga um dia a cada seis trabalhados, e a PEC da Segurança Pública, que reorganiza as competências de União, estados e municípios no combate ao crime. Teresa afirmou que vai atuar pela construção de consensos em torno dessas pautas.
Por que ela foi escolhida

Segundo aliados, um dos motivos foi o fato de Teresa estar no meio do mandato e não disputar a eleição de outubro, o que daria mais tempo para se dedicar à articulação no Congresso. Da bancada do PT no Senado, ela é uma das poucas que não terão o mandato encerrado agora.
O fato de ser mulher também pesou na decisão, assim como o seu alinhamento com o presidente. Outros nomes chegaram a ser cotados, como Otto Alencar (PSD-BA), que preside a Comissão de Constituição e Justiça, e Camilo Santana (PT-CE), apontado como necessário na eleição do Ceará, mas ambos acabaram descartados.
Ao agradecer a indicação, Teresa afirmou que vai trabalhar para fortalecer a relação entre o Palácio do Planalto, a base aliada e os parlamentares. Ela citou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em um momento de desgaste entre o governo e o comando da Casa, a quem aliados de Lula atribuem derrotas recentes, como a rejeição de uma indicação ao STF.
A saída de Jaques Wagner
Wagner deixou a liderança na quarta-feira (24), após uma reunião com Lula no Palácio da Alvorada. Em nota, ele afirmou que a decisão foi tomada em comum acordo com o presidente e descreveu o encontro como uma conversa entre amigos.
O senador disse ainda que, a partir de agora, vai concentrar esforços na própria defesa, para provar sua inocência, e nas campanhas eleitorais de 2026.
O que é a Operação Compliance Zero
A saída ocorreu depois de Wagner ser incluído, em 18 de junho, na 9ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, informou o g1. A investigação apura um suposto esquema de fraudes financeiras ligado ao Banco Master e a suspeita de favorecimento ao banco. As buscas no caso foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do STF.
Wagner nega qualquer irregularidade. Sua defesa pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a anulação das buscas autorizadas no caso. A investigação segue em andamento, sem conclusão até o momento, e não há acusação formal contra o senador.
A formalização da nova liderança e os próximos passos da articulação do governo no Senado ainda devem ocorrer. Acompanhe o Alerta Gov para não perder nenhuma atualização sobre o tema!











