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Governo veta ‘Contrato do Primeiro Emprego’: PL com jornada de 44h para jovens de 18 a 29 anos é barrado

Diário Oficial publica o veto total ao PL 5.228/2019; proposta mexia em direitos de jovens trabalhadores

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Plenário do Congresso Nacional, onde os parlamentares vão decidir se mantêm ou derrubam o veto ao Contrato do Primeiro Emprego

Após o veto, o projeto retorna ao Congresso, que pode mantê-lo ou derrubá-lo por maioria absoluta em votação conjunta. Imagem: Carlos Moura/Agência Senado

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Por Luiza Pereira em 18/06/2026 às 12h41

O Governo Federal barrou o projeto de lei que criava o Contrato do Primeiro Emprego para jovens de 18 a 29 anos. O veto total foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira (18).

O ponto mais sensível da proposta era a jornada de até 44 horas semanais. Para o Executivo, a carga horária era incompatível com os estudos e reduzia garantias dos trabalhadores.

Confira, a seguir, os detalhes do projeto barrado e os motivos que levaram ao veto.

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Detalhes do projeto de lei vetado

Identificado como Projeto de Lei nº 5.228/2019, o texto criava o Contrato do Primeiro Emprego e mudava duas normas: a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e a Lei Orgânica da Seguridade Social, que organiza o financiamento da Previdência e da assistência social no país.

Na prática, o veto significa que a Presidência impediu o projeto de virar lei, mesmo depois de ele ter passado pelo Congresso. Por ser um veto integral, todo o texto foi recusado, e não apenas partes.

A proposta era voltada a jovens de 18 a 29 anos e tinha como objetivo declarado estimular a contratação de quem busca a primeira vaga. Para isso, oferecia aos empregadores benefícios tributários e previdenciários, mas sem vantagens equivalentes aos contratados.

Motivações do veto presidencial

Segundo a mensagem de veto, a jornada de até 44 horas semanais dificultava conciliar o trabalho com os estudos e ia na contramão da proposta de reduzir a semana para 40 horas, sem perda de salário, já aprovada na Câmara.

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Essa redução de jornada faz parte do debate sobre o fim da escala 6×1, em que o trabalhador folga apenas um dia após seis de serviço.

O Executivo também apontou redução de garantias trabalhistas, o que feriria princípios como a isonomia e a vedação ao retrocesso social, previstos no art. 7º da Constituição. Na prática, esse princípio impede que uma nova lei diminua direitos já conquistados.

O risco para a Lei do Jovem Aprendiz

Jovens aprendizes de imprensa em cobertura, modalidade preservada após o veto ao Contrato do Primeiro Emprego
Com o veto, a Lei do Jovem Aprendiz continua sendo a principal porta de entrada dos jovens no mercado formal. Imagem: Agência Brasil

Outro receio era o impacto sobre a Lei da Aprendizagem, conhecida como Lei do Jovem Aprendiz. O novo contrato poderia esvaziar essa porta de entrada, que hoje assegura jornada reduzida e qualificação profissional dentro da empresa.

Em 26 anos, a Lei da Aprendizagem levou mais de 6 milhões de jovens ao mercado formal, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Em março de 2026, eram mais de 700 mil contratos ativos, o maior número da série histórica.

Os impactos no FGTS e na Previdência

Pesaram ainda dois pontos financeiros no veto:

  • FGTS: o texto reduzia a alíquota paga pelo empregador, o que deixaria esses jovens com menos proteção do que os demais trabalhadores;
  • Previdência: a queda da contribuição das empresas foi vista como risco ao equilíbrio da Previdência Social, protegido pelo art. 201 da Constituição.

O veto foi assinado pelo vice-presidente, no exercício da Presidência, após manifestação de órgãos como a Advocacia-Geral da União e os ministérios do Trabalho, da Fazenda e da Previdência.

O que muda para os jovens agora

A decisão afeta diretamente milhões de jovens de 18 a 29 anos que buscam o primeiro emprego formal, faixa que costuma enfrentar mais dificuldade para entrar no mercado de trabalho.

Com o veto, nada muda de imediato: as regras atuais da CLT e da Lei do Jovem Aprendiz seguem valendo, e o Contrato do Primeiro Emprego não entra em vigor.

O caso volta ao Congresso Nacional, que pode manter ou derrubar o veto. Para reverter a decisão, é preciso maioria absoluta de deputados e senadores em votação conjunta.

Se o veto for mantido, o projeto é arquivado de vez. Se for derrubado, o Contrato do Primeiro Emprego pode passar a valer mesmo sem o aval do governo. Até lá, vale acompanhar os canais oficiais do Congresso para saber quando o tema entra em pauta.

Quer saber se as regras do primeiro emprego vão mudar? Acompanhe o Alerta Gov e fique por dentro de cada passo da decisão do Congresso sobre o veto.

 

Tags: alteração CLT jovensameaça à Lei do Jovem Aprendizjornada 44 horas jovensveto Contrato do Primeiro Emprego 2026
Luiza Pereira

Luiza Pereira

Graduanda em Pedagogia pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Redatora do grupo Sena Online.

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