A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira (25) o registro de um novo medicamento para a doença de Parkinson. O Vyalev é administrado por infusão contínua ao longo das 24 horas do dia.
Confira a seguir o que a Anvisa aprovou, o problema que o medicamento busca tratar e como funciona essa nova terapia.
O que a Anvisa aprovou
A Anvisa é o órgão que regula medicamentos no país. Cabe a ela autorizar o registro de novos produtos no mercado brasileiro.
Os pontos centrais dessa aprovação são os seguintes:
- A Anvisa aprovou o registro do medicamento conhecido pelo nome Vyalev
- A autorização foi publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira
- O produto é voltado ao tratamento da doença de Parkinson em estágio avançado
- O registro permite que o medicamento passe a ser oferecido no país
O Parkinson é uma doença neurológica de caráter progressivo e crônico. A condição afeta o movimento e provoca sintomas como tremores, rigidez muscular e lentidão dos movimentos.
O tratamento da doença costuma ser feito com remédios em comprimido. Com o tempo, porém, parte dos pacientes deixa de responder bem a essa forma de medicação.
O problema que o medicamento busca tratar
O novo medicamento foi desenvolvido para um desafio específico do Parkinson avançado. O problema central são as chamadas flutuações motoras.
As flutuações motoras se manifestam da seguinte forma:
- Em alguns momentos, a medicação tradicional funciona e os sintomas ficam controlados
- Em outros, o efeito do remédio cessa e os sintomas retornam de forma intensa
- Essa alternância acontece de modo imprevisível ao longo do dia
Com o avanço da doença, os remédios em comprimido tendem a perder eficácia. É nesse cenário que surge a necessidade de alternativas de tratamento.
O que é o Vyalev e como ele funciona
O produto aprovado pela Anvisa tem um modo de uso diferente dos comprimidos. O Vyalev combina duas substâncias e é aplicado de forma contínua.
O funcionamento do Vyalev envolve os seguintes pontos:
- O medicamento é uma solução à base de levodopa, substância usada contra o Parkinson
- A aplicação é feita por infusão subcutânea, ou seja, sob a pele do paciente
- A administração é contínua e dura as 24 horas do dia
- A infusão é feita por um dispositivo acoplado ao corpo do paciente
A proposta do tratamento é manter níveis estáveis do medicamento no organismo. Essa constância busca evitar as quedas de efeito que provocam as flutuações motoras.
Por funcionar sem interrupção, a terapia atua mesmo durante o sono. A ideia é dar ao paciente um controle mais previsível dos sintomas ao longo do dia.
Para quais pacientes o tratamento é indicado
O Vyalev não é indicado para todos os pacientes com Parkinson. A terapia é voltada a um perfil específico, ligado ao estágio da doença.

O tratamento é indicado para os seguintes casos:
- Pacientes com doença de Parkinson em estágio avançado
- Pessoas com flutuações motoras graves e debilitantes
- Quem já não responde de forma adequada aos comprimidos tradicionais
O tratamento também surge como alternativa a um procedimento cirúrgico. A estimulação cerebral profunda é uma cirurgia indicada em casos graves da doença.
Parte dos pacientes tem contraindicação médica para essa cirurgia, e outros a recusam por considerá-la invasiva. Para esse grupo, a terapia por infusão se apresenta como uma opção não cirúrgica.
O que se sabe sobre os efeitos do medicamento
Como todo medicamento, o Vyalev pode provocar reações no organismo. Os dados disponíveis indicam quais são os efeitos mais comuns.
Entre os efeitos associados ao medicamento estão os seguintes:
- Reações no local da infusão, onde o dispositivo é acoplado à pele
- Episódios de alucinação relatados durante o uso do tratamento
- A discinesia, que são movimentos involuntários do corpo
Segundo os dados, a maioria dessas reações é de intensidade leve a moderada. Ainda assim, o uso do medicamento deve seguir a orientação de um profissional de saúde.
É importante reforçar que o medicamento não representa a cura do Parkinson. A doença segue sem cura, e a terapia atua no controle dos sintomas motores do paciente.
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