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SUS pode ganhar injeção contra HIV em 2026: aplicação a cada dois meses substitui pílula diária

Ministério da Saúde vai encaminhar o pedido de incorporação, e a análise técnica define se a nova forma de prevenção entra na rede pública

em Notícias
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Profissional de saúde aplica injeção no braço de um paciente ao lado de uma caixa de PrEP oral, com a marca do SUS ao fundo, imagem ilustrativa da proposta de incluir a prevenção injetável contra o HIV na rede pública

A rede pública já distribui a profilaxia em comprimidos, e a proposta em análise acrescenta a versão aplicada em intervalos maiores. Imagem: Alerta Gov

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Por Luiza Pereira em 28/07/2026 às 14h28

O Ministério da Saúde vai pedir a inclusão de uma injeção preventiva contra o HIV na rede pública ainda neste ano. O anúncio foi feito pelo ministro Alexandre Padilha durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, realizada no Rio de Janeiro.

O medicamento em questão é o cabotegravir, autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2023 e hoje disponível apenas na rede privada.

A informação foi divulgada pela Agência Brasil após coletiva de imprensa que reuniu autoridades da saúde brasileira e internacional.

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Confira, a seguir, o que muda na rotina de quem faz a prevenção, o que os estudos apontam sobre a adesão e por que outro medicamento ficou de fora da proposta.

O que muda na rotina de quem faz a prevenção

A profilaxia pré-exposição, conhecida pela sigla PrEP, passaria a ter uma versão aplicada a cada dois meses. Atualmente, o Sistema Único de Saúde oferece apenas a forma oral, em comprimidos que precisam ser tomados todos os dias para manter a proteção.

O cabotegravir age impedindo a replicação do vírus de forma prolongada. Na prática, a pessoa deixaria de depender da lembrança diária e passaria a comparecer ao serviço de saúde seis vezes por ano para receber a aplicação.

A mudança ainda não está garantida. O pedido será encaminhado à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), colegiado independente que avalia evidências científicas, impacto e custo-benefício antes de qualquer inclusão na rede pública.

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A comissão pode recomendar ou não a incorporação, e a decisão final cabe ao Ministério da Saúde. A previsão é que a análise ocorra em agosto.

Como as duas formas de prevenção se comparam

A versão em comprimido continua disponível e mantém eficácia comprovada. A diferença entre as duas está na frequência de uso e no acompanhamento necessário. Veja os detalhes:

Característica PrEP oral PrEP injetável
Forma de uso Comprimido Injeção aplicada em serviço de saúde
Frequência Uso diário A cada dois meses
Situação no SUS Já disponível Depende da análise da Conitec
Alcance atual Mais de 350 mil pessoas já tiveram acesso Disponível apenas na rede privada

Nenhuma das duas formas dispensa as demais medidas de prevenção, e a indicação depende de avaliação em serviço de saúde. O SUS também oferece testes rápidos para o HIV, que seguem sendo o ponto de partida para qualquer acompanhamento.

O que os estudos mostram sobre a adesão

Seringa e frasco de medicamento sobre bandeja em consultório, com profissional de saúde orientando um paciente ao fundo, imagem ilustrativa do acompanhamento necessário para a aplicação da PrEP injetável
O estudo brasileiro apontou que 94% dos participantes voltaram ao serviço de saúde no prazo certo para receber as doses. Imagem: Alerta Gov

O principal argumento a favor da injeção não é a eficácia, e sim a constância. Como o comprimido precisa ser tomado sem falhas, o esquecimento reduz a proteção ao longo do tempo.

Foi isso que o estudo ImPrEP CAB Brasil, conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), tentou medir.

A pesquisa ofereceu as duas formas de prevenção em unidades públicas de seis cidades brasileiras, deixou cerca de 1,4 mil participantes escolherem qual usar e acompanhou o grupo ao longo dos meses seguintes para verificar quem se manteve protegido.

Os resultados, segundo a Agência Brasil:

  • 83% dos participantes escolheram a injeção em vez do comprimido diário;
  • 94% voltaram ao serviço de saúde no prazo correto para receber as doses seguintes;
  • Nenhum participante do grupo da injeção foi infectado pelo vírus.

Outro levantamento, divulgado pelas farmacêuticas responsáveis pelo medicamento, apontou taxa anual de infecção pelo HIV de 0,1% entre os usuários da versão injetável.

Por que outro medicamento ficou fora da proposta

Existe uma opção com proteção ainda mais longa, o lenacapavir, aplicado duas vezes por ano. Ele não entrou na proposta por dois motivos: preço e patente.

O preço travou a negociação

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o valor oferecido ao Brasil inviabilizou o acordo. O governo se dispôs a pagar até dez vezes o preço cobrado de países em situação semelhante, como Indonésia e Tailândia, e ainda assim a proposta foi recusada.

Segundo o ministro, o país recebe as novas tecnologias com esperança, mas cobra dos laboratórios preços adequados, e não valores que ele classificou como estratosféricos. No caso do cabotegravir, produzido pela GSK, a oferta foi considerada compatível.

O Brasil ficou fora do acordo de genéricos

A empresa que fabrica o lenacapavir fechou um acordo que autoriza seis fabricantes a produzir versões genéricas do medicamento, mais baratas, para 120 países. O Brasil ficou de fora dessa lista e, por isso, segue dependendo do preço cheio cobrado pela fabricante.

A exclusão foi criticada durante a conferência, inclusive pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, que considera o medicamento peça central no combate à epidemia.

Em nota enviada após as declarações, a fabricante afirmou que compartilha a urgência de ampliar o acesso ao medicamento na América Latina e no Caribe e que continua buscando alternativas para os países fora do acordo. A empresa informou ainda ter assinado um memorando de entendimento com a Fiocruz para avaliar uma possível transferência de tecnologia.

Quer saber quando o medicamento chegar à rede pública? Acompanhe o portal Alerta Gov, que publica diariamente as decisões do Ministério da Saúde, os benefícios liberados pelo governo e os serviços gratuitos disponíveis ao cidadão!

Tags: adesão à PrEP injetávelcabotegravir prevenção HIVestudo ImPrEP CAB BrasilPrEP injetável no SUS
Luiza Pereira

Luiza Pereira

Graduanda em Pedagogia pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Redatora do grupo Sena Online.

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