O Ministério da Saúde vai pedir a inclusão de uma injeção preventiva contra o HIV na rede pública ainda neste ano. O anúncio foi feito pelo ministro Alexandre Padilha durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, realizada no Rio de Janeiro.
O medicamento em questão é o cabotegravir, autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2023 e hoje disponível apenas na rede privada.
A informação foi divulgada pela Agência Brasil após coletiva de imprensa que reuniu autoridades da saúde brasileira e internacional.
🔔 Fique por dentro dos seus direitos — grupos gratuitos no WhatsApp
Benefícios, INSS, concursos e alertas do governo avisados na hora, sem pagar nada.
RECEBER ALERTAS →Confira, a seguir, o que muda na rotina de quem faz a prevenção, o que os estudos apontam sobre a adesão e por que outro medicamento ficou de fora da proposta.
O que muda na rotina de quem faz a prevenção
A profilaxia pré-exposição, conhecida pela sigla PrEP, passaria a ter uma versão aplicada a cada dois meses. Atualmente, o Sistema Único de Saúde oferece apenas a forma oral, em comprimidos que precisam ser tomados todos os dias para manter a proteção.
O cabotegravir age impedindo a replicação do vírus de forma prolongada. Na prática, a pessoa deixaria de depender da lembrança diária e passaria a comparecer ao serviço de saúde seis vezes por ano para receber a aplicação.
A mudança ainda não está garantida. O pedido será encaminhado à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), colegiado independente que avalia evidências científicas, impacto e custo-benefício antes de qualquer inclusão na rede pública.
A comissão pode recomendar ou não a incorporação, e a decisão final cabe ao Ministério da Saúde. A previsão é que a análise ocorra em agosto.
Como as duas formas de prevenção se comparam
A versão em comprimido continua disponível e mantém eficácia comprovada. A diferença entre as duas está na frequência de uso e no acompanhamento necessário. Veja os detalhes:
| Característica | PrEP oral | PrEP injetável |
|---|---|---|
| Forma de uso | Comprimido | Injeção aplicada em serviço de saúde |
| Frequência | Uso diário | A cada dois meses |
| Situação no SUS | Já disponível | Depende da análise da Conitec |
| Alcance atual | Mais de 350 mil pessoas já tiveram acesso | Disponível apenas na rede privada |
Nenhuma das duas formas dispensa as demais medidas de prevenção, e a indicação depende de avaliação em serviço de saúde. O SUS também oferece testes rápidos para o HIV, que seguem sendo o ponto de partida para qualquer acompanhamento.
O que os estudos mostram sobre a adesão

O principal argumento a favor da injeção não é a eficácia, e sim a constância. Como o comprimido precisa ser tomado sem falhas, o esquecimento reduz a proteção ao longo do tempo.
Foi isso que o estudo ImPrEP CAB Brasil, conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), tentou medir.
A pesquisa ofereceu as duas formas de prevenção em unidades públicas de seis cidades brasileiras, deixou cerca de 1,4 mil participantes escolherem qual usar e acompanhou o grupo ao longo dos meses seguintes para verificar quem se manteve protegido.
Os resultados, segundo a Agência Brasil:
- 83% dos participantes escolheram a injeção em vez do comprimido diário;
- 94% voltaram ao serviço de saúde no prazo correto para receber as doses seguintes;
- Nenhum participante do grupo da injeção foi infectado pelo vírus.
Outro levantamento, divulgado pelas farmacêuticas responsáveis pelo medicamento, apontou taxa anual de infecção pelo HIV de 0,1% entre os usuários da versão injetável.
Por que outro medicamento ficou fora da proposta
Existe uma opção com proteção ainda mais longa, o lenacapavir, aplicado duas vezes por ano. Ele não entrou na proposta por dois motivos: preço e patente.
O preço travou a negociação
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o valor oferecido ao Brasil inviabilizou o acordo. O governo se dispôs a pagar até dez vezes o preço cobrado de países em situação semelhante, como Indonésia e Tailândia, e ainda assim a proposta foi recusada.
Segundo o ministro, o país recebe as novas tecnologias com esperança, mas cobra dos laboratórios preços adequados, e não valores que ele classificou como estratosféricos. No caso do cabotegravir, produzido pela GSK, a oferta foi considerada compatível.
O Brasil ficou fora do acordo de genéricos
A empresa que fabrica o lenacapavir fechou um acordo que autoriza seis fabricantes a produzir versões genéricas do medicamento, mais baratas, para 120 países. O Brasil ficou de fora dessa lista e, por isso, segue dependendo do preço cheio cobrado pela fabricante.
A exclusão foi criticada durante a conferência, inclusive pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, que considera o medicamento peça central no combate à epidemia.
Em nota enviada após as declarações, a fabricante afirmou que compartilha a urgência de ampliar o acesso ao medicamento na América Latina e no Caribe e que continua buscando alternativas para os países fora do acordo. A empresa informou ainda ter assinado um memorando de entendimento com a Fiocruz para avaliar uma possível transferência de tecnologia.
Quer saber quando o medicamento chegar à rede pública? Acompanhe o portal Alerta Gov, que publica diariamente as decisões do Ministério da Saúde, os benefícios liberados pelo governo e os serviços gratuitos disponíveis ao cidadão!












