O trabalhador com saldo no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) deve receber uma parcela extra até o fim de agosto. A proposta em análise no governo prevê a distribuição de R$ 13,2 bilhões do lucro obtido pelo fundo em 2025.
O valor corresponde a 90% do resultado do período, que fechou em R$ 14,7 bilhões. Nada está decidido, porém: a palavra final cabe ao Conselho Curador do FGTS, que se reúne em 28 de julho.
Confira, a seguir, quem entra na distribuição, quanto deve cair em cada conta e por que a medida se tornou obrigatória nos últimos anos.
🔔 Fique por dentro dos seus direitos — grupos gratuitos no WhatsApp
Benefícios, INSS, concursos e alertas do governo avisados na hora, sem pagar nada.
RECEBER ALERTAS →Quem recebe o crédito e quem fica de fora da divisão
O FGTS é uma conta bancária que o trabalhador não abriu e não movimenta: quem deposita é o patrão, todo mês, enquanto durar o contrato de trabalho. É esse dinheiro guardado que rende, e é sobre ele que o lucro será dividido.
A regra da divisão é simples. Se havia dinheiro nessa conta no dia 31 de dezembro de 2025, o trabalhador recebe. Se a conta estava zerada naquele dia, não recebe.
Os dois tipos de conta que entram na divisão
Estar ou não empregado hoje não muda nada. Cada trabalhador pode ter dois tipos de conta, e as duas participam:
- Conta ativa: do emprego atual, que ainda recebe depósitos do patrão todo mês;
- Conta inativa: de um emprego que já acabou. Os depósitos pararam, mas o dinheiro continua guardado e rendendo.
Uma mesma pessoa pode ter várias contas inativas, uma de cada emprego antigo em que não sacou tudo. Todas participam da divisão, desde que tivessem saldo naquela data.
Quem não recebe nada nesta rodada
Fica de fora quem sacou tudo e ficou com saldo zero. É o caso, por exemplo, de quem foi demitido, retirou todo o valor e não voltou a trabalhar com carteira assinada até o fim de 2025.
Também não entra quem começou a trabalhar em 2026, porque a conta ainda não existia em 31 de dezembro do ano passado. Esse trabalhador passa a concorrer à divisão do lucro de 2026, que o Conselho Curador deve analisar em meados do ano que vem.
Quanto deve cair em cada conta

A divisão é proporcional ao saldo: quanto mais dinheiro parado na conta, maior o crédito. Conforme apurou O Globo, o valor depositado será proporcional aos saldos existentes em 31 de dezembro de 2025.
O índice apresentado ao Conselho é de 0,01868341, o equivalente a um acréscimo de 1,87% sobre cada saldo.
Para descobrir o valor, basta multiplicar o saldo daquela data por esse índice. Veja o resultado em diferentes faixas:
| Saldo em 31 de dezembro de 2025 | Crédito estimado |
|---|---|
| R$ 1.000,00 | R$ 18,68 |
| R$ 5.000,00 | R$ 93,42 |
| R$ 10.000,00 | R$ 186,83 |
| R$ 20.000,00 | R$ 373,67 |
| R$ 50.000,00 | R$ 934,17 |
Os valores são estimativas e valem apenas se o Conselho Curador aprovar a proposta como ela foi apresentada. Depois do depósito, o valor exato creditado poderá ser conferido no aplicativo FGTS ou no site da Caixa Econômica Federal.
Por que o governo é obrigado a dividir esse lucro
O dinheiro do FGTS rende pouco. A correção oficial é de 3% ao ano mais a Taxa Referencial, a TR, que há anos fica perto de zero. Na prática, o saldo cresce cerca de 3% ao ano, enquanto os preços no supermercado sobem mais que isso. Resultado: o dinheiro guardado perde valor com o tempo.
Foi por causa disso que o Supremo Tribunal Federal decidiu, em 2024, que o FGTS não pode render menos que a inflação. A inflação oficial é medida pelo IPCA, o índice que acompanha a variação dos preços no país.
A regra ficou assim: se os 3% mais a TR não empatarem com a inflação, o governo precisa completar a diferença. E o dinheiro para completar sai justamente do lucro que o fundo obtém ao longo do ano.
Em 2025, a inflação foi de 4,26%. Como a correção normal do FGTS ficou abaixo disso, a divisão do lucro deixou de ser um bônus e virou obrigação.
Quem defende dividir menos e por quê
A proposta de repassar 90% do lucro ainda pode mudar, porque não há acordo dentro do Conselho Curador. O colegiado reúne representantes do governo, dos patrões e dos trabalhadores, e é lá que a briga acontece.
Os representantes da construção civil querem que uma parte maior do lucro fique no fundo, em vez de ir para os trabalhadores. O argumento é que a correção normal já daria conta de cobrir a inflação, o que tornaria desnecessário repassar tanto.
Por trás disso está o caixa do FGTS. É esse dinheiro que financia o Minha Casa, Minha Vida, e o setor alega que o fundo tem menos recursos disponíveis do que antes, entre outros motivos por causa dos saques permitidos ao longo do ano. Quanto menos lucro sair para os trabalhadores, mais sobra para financiar obras.
Na divisão anterior, o governo repassou 95% do lucro, e cerca de 134 milhões de contas receberam o crédito.
Receber o crédito não significa poder sacar o dinheiro
O valor cai na conta do FGTS, e não na conta do banco onde o trabalhador recebe o salário. Ele é somado ao saldo que já existia e passa a seguir exatamente as mesmas regras do restante do dinheiro guardado.
Na prática, ninguém saca por causa da divisão do lucro. A retirada continua condicionada às situações previstas em lei, entre as principais:
- Demissão sem justa causa;
- Compra da casa própria;
- Aposentadoria;
- Diagnóstico de doenças graves previstas na legislação.
Há uma exceção conhecida. Quem aderiu ao saque-aniversário retira uma parte do saldo todos os anos, no mês do próprio aniversário, e o valor do lucro entra nesse cálculo como qualquer outro depósito.
Mas essa modalidade tem um custo: quem opta por ela não pode sacar o saldo integral se for demitido sem justa causa, apenas a multa rescisória.
Para conferir o saldo, o caminho é o aplicativo FGTS ou o site da Caixa Econômica Federal, com login da conta gov.br. O atendimento presencial nas agências também está disponível.
Vale lembrar que nada disso está garantido: o crédito só passa a existir se o Conselho Curador aprovar a proposta em 28 de julho, e o valor exato depositado só poderá ser conferido depois que a Caixa liberar os pagamentos.
Para acompanhar tudo sobre benefícios, direitos e novas oportunidades, continue explorando o Alerta Gov.












