A vacinação contra a dengue com a vacina do Instituto Butantan foi suspensa após dois óbitos entre os vacinados, impactando principalmente profissionais de saúde e adultos vacinados em 2026.
Segundo o Ministério da Saúde, 42 pessoas tiveram sintomas adversos de maior gravidade, levando à interrupção temporária e monitoramento especial em todo o Brasil.
Por que a vacinação do Butantan foi suspensa e quem está sob maior risco?
A suspensão da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan se deu por motivo de precaução, após registro de 42 casos adversos raros em um universo de 500 mil aplicações. Entre esses, três foram classificados como graves, com dois óbitos confirmados em adultos. A medida foi anunciada no dia 8 de junho de 2026 pelo Ministério da Saúde, que reforçou a necessidade de investigação rigorosa antes do prosseguimento da vacinação.
Profissionais de saúde da atenção primária e adultos de 15 a 59 anos imunizados em cidades-piloto (Botucatu – SP, Maranguape – CE, Nova Lima – MG e Araguaína – TO) fazem parte do público-alvo inicialmente vacinado. A recomendação oficial é o monitoramento intensivo de pessoas vacinadas nos 21 dias anteriores ao anúncio.
O que se sabe sobre os óbitos e as reações adversas investigadas
Entre as 500 mil pessoas vacinadas até maio, 3.703 notificações de sintomas similares à dengue foram registradas (0,7%), sendo 42 casos classificados como de alarme (0,008%). Três pessoas precisaram de hospitalização, dois casos evoluíram para morte e um para alta hospitalar.
Casos específicos:
- Uma mulher de 48 anos desenvolveu sintomas de dengue grave ligados a meningoencefalite 19 dias após a dose e faleceu;
- Um homem de 58 anos apresentou febre cinco dias após a vacina e evoluiu rapidamente para óbito;
- Um terceiro caso grave, sem óbito, envolveu uma mulher de 39 anos, hospitalizada em UTI após sintomas graves, que depois se recuperou.
Segundo nota do Ministério da Saúde, não se pode atribuir causalidade direta entre a vacina e os desfechos fatais, mas o padrão dos sintomas inesperados levantou sinal de alerta que motivou a suspensão preventiva, conforme protocolos internacionais de farmacovigilância.
Quais sintomas monitorar após receber a vacina Butantan-DV?

O Ministério da Saúde orienta pacientes vacinados há até 21 dias a procurarem atendimento médico ao notar qualquer intensificação dos seguintes sintomas:
- Febre;
- Dor abdominal intensa e contínua;
- Vômitos persistentes;
- Tontura;
- Sangramentos;
- Sonolência intensa;
- Irritabilidade;
- Sinais de desidratação;
- Piora do estado geral de saúde.
Outros efeitos adversos comuns, descritos na bula da vacina em estudos prévios, incluem dor de cabeça, dores no corpo, dor nos olhos, coceira, manchas na pele, cansaço, enjoo, sensibilidade à luz e calafrios – na maioria dos casos, leves e passageiros.
Pessoas imunizadas há mais de 21 dias geralmente não apresentam risco, pois a presença da vacina não é mais detectável no organismo após esse período.
O que muda na estratégia de vacinação contra a dengue
A decisão afeta unicamente a vacina do Instituto Butantan, sem reflexo sobre a aplicação da Qdenga (Takeda), que permanece disponível a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos no programa nacional de imunizações. O Ministério da Saúde garante que a interrupção não invalida a eficácia global do imunizante investigado, e que os vacinados permanecem protegidos contra a dengue. As doses em estoque do Butantan-DV devem ser mantidas armazenadas até a conclusão das apurações.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Ministério da Saúde reiteram a recomendação de manter medidas preventivas contra o mosquito transmissor — como eliminar criadouros, descartar recipientes que acumulem água e permitir o acesso de agentes de controle de endemias às residências.
Declarações oficiais sobre a suspensão e os próximos passos
O ministro Alexandre Padilha declarou que a ação é de precaução e visa aprofundar a análise dos eventos adversos, além de garantir a segurança da população nas próximas etapas.
“Essa descontinuidade tem um objetivo que é a ação de precaução, para que o Ministério da Saúde, a Anvisa e o Butantan aprofundem a investigação nos 42 casos, que são episódios de reações adversas da vacina, para buscar fatores de risco nessas pessoas, fazer uma espécie de estudo de caso-controle”, disse o ministro em coletiva de imprensa.
O Instituto Butantan informou que atua com rigor científico, segue colaborando com as investigações e permanece disponível para prestar esclarecimentos.
“O Instituto Butantan, como já demonstrado em casos recentes, seguirá trabalhando com o mais absoluto rigor para aprofundar as informações sobre o uso da vacina para que, em se confirmando sua segurança, a vacinação possa ser retomada em breve, com toda a tranquilidade para a população”, declarou a instituição.
O Ministério da Saúde e a Anvisa anunciarão as próximas orientações assim que houver conclusões técnicas. O acompanhamento de vacinados segue até que todas as investigações estejam finalizadas.
Contato oficial e canais para esclarecer dúvidas sobre a suspensão
Caso note qualquer sintoma de alarme depois da vacinação, a orientação é buscar imediatamente uma unidade do Sistema Único de Saúde (SUS).
Dúvidas adicionais podem ser esclarecidas junto ao Disque Saúde 136 do Ministério da Saúde ou pela Central de Atendimento ao Cidadão em canais eletrônicos de cada secretaria estadual. O site da Anvisa também disponibiliza orientações atualizadas para profissionais de saúde e pacientes.
Aproveite para assistir ao vídeo abaixo e conheça outra medida do Ministério da Saúde:
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