Com a greve em vigor desde o dia 10 de setembro, os Correios encerraram as negociações com os representantes dos trabalhadores no Tribunal Superior do Trabalho (TST) e agora aguardam o julgamento do dissídio coletivo, marcado para segunda-feira, 21 de setembro. A greve chega ao oitavo dia sem acordo.
Correios desistem de negociar e aguardam julgamento do dissídio coletivo
Os Correios decidiram apostar no resultado do dissídio coletivo, processo em que a Justiça do Trabalho decide o impasse entre as partes envolvidas, em vez de buscar um acordo nas negociações. A sessão será presidida pelo presidente do tribunal, Vieira de Mello Filho.
No pedido enviado ao TST, a direção da estatal alegou a necessidade de controlar despesas em meio ao plano de reestruturação. Segundo a empresa, 89% das receitas são destinadas ao pagamento de salários e benefícios, o que tornaria a recuperação financeira inviável.
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Motivos da greve
A greve foi motivada principalmente pelo impasse em torno da manutenção do plano de saúde dos funcionários. Os sindicatos afirmam que os Correios insistem em alterar a condição da estatal como mantenedora do benefício, o que prejudicaria os servidores ativos e aposentados.
As negociações salariais também não chegaram a um acordo completo, mesmo após tentativas de mediação no TST. A empresa manteve a recomposição da inflação e preservou 78 das 80 cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), mas não houve consenso sobre os principais pontos reivindicados pela categoria.
A paralisação foi aprovada em 35 assembleias estaduais, segundo a Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect).
Os principais pontos de impasse nas negociações
Um dos pontos de consenso é o reajuste salarial de 4,35%, correspondente ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), com aplicação retroativa a 1º de agosto.
O principal impasse são as mudanças propostas pela empresa no plano de saúde. A negociação coletiva chegou a ser mediada pelo TST na quinta-feira, 10 de setembro, mas terminou sem acordo. Entre as principais demandas dos Correios estão:
- Adicional de férias de um terço, no lugar dos atuais 70%;
- Horas extras nos moldes da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), no lugar do adicional de 200%;
- Exclusão do abono conhecido como vale-peru, sob a justificativa de que a empresa tem prejuízos recorrentes;
- Retorno do registro de ponto eletrônico;
- Retorno do cálculo de dimensionamento de unidades, que compara demanda e capacidade instalada;
- Retirada da condição de mantenedora do plano de saúde, com manutenção de um plano ainda subsidiado pela empresa.
Na prática, com a mudança no plano de saúde, a empresa deixaria de assumir integralmente o risco atuarial, que representa provisões de quase R$ 600 milhões.
Mesmo mantendo quase todas as cláusulas do acordo anterior e recompondo as perdas inflacionárias, os Correios não atenderam às principais demandas dos trabalhadores, o que levou à decisão pela greve por tempo indeterminado.
Impactos imediatos da paralisação nas operações dos Correios

Com a greve, os Correios acionaram o Plano de Continuidade de Negócios para tentar manter os serviços operacionais. A estatal mobilizou funcionários administrativos para funções operacionais, remanejou veículos e organizou mutirões para assegurar o fluxo logístico.
O tribunal já determinou que 80% dos funcionários permaneçam em atividade para manter os serviços. Ainda assim, a paralisação afeta a qualidade do atendimento, e a regularidade das entregas pode apresentar atrasos em decorrência da ausência de parte dos trabalhadores grevistas.
Os clientes podem buscar informações e suporte pelos telefones 4003-8210 e 0800-881-8210, além dos canais digitais da empresa.
Crise financeira dos Correios pressiona negociação
A greve ocorre em meio à crise financeira da estatal, que registrou prejuízo de R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre de 2026. Em 2025, a empresa contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões para reestruturação e agora negocia outro, de R$ 7 bilhões, junto a um grupo de bancos, com garantia da União.
Por isso, a direção dos Correios aguarda o desfecho da sessão no TST para melhorar o cenário e conseguir o crédito.
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