A Polícia Federal (PF) abriu nesta quinta-feira (25) uma nova fase da investigação sobre a fraude na Americanas e pediu o bloqueio de até R$ 54 bilhões em bens dos investigados.
Chamada de Operação Disclosure, a ação tem apoio do Ministério Público Federal (MPF) e cumpriu nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Esses mandados autorizam os agentes a entrar em endereços e recolher documentos e aparelhos que ajudem na investigação. Bloquear bens, por sua vez, significa que a Justiça impede que os investigados vendam ou movimentem esse patrimônio.
Veja, a seguir, de forma simples, quem está sendo investigado, o que a PF apura e como o esquema teria funcionado.
Quem está sendo investigado
Nesta etapa, a investigação deixa de mirar só os ex-diretores e passa a incluir os acionistas de referência, que são os sócios mais importantes da empresa, e executivos de grandes bancos. Entre os alvos estão os empresários Carlos Alberto Sicupira e Paulo Lemann, filho do bilionário Jorge Paulo Lemann, que não é alvo desta fase.
A operação também atinge executivos do Itaú, do Bradesco e do Santander, bancos que tinham relação com a varejista. A PF quer saber se essas pessoas sabiam da fraude ou participaram dela. Os mandados foram autorizados pela 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.
O que a PF investiga
Segundo a Agência Brasil, a PF apura indícios de dois crimes: manipulação de mercado, que é enganar quem investe na empresa, e associação criminosa, que é um grupo organizado para cometer crimes.
A suspeita é que, por anos, a Americanas tenha escondido dívidas e mostrado um resultado melhor do que o real. Assim, a empresa parecia mais saudável aos olhos do mercado, o que ajudava a valorizar suas ações.
Além da PF e do MPF, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que fiscaliza o mercado de ações, também acompanha o caso, apontado como um dos maiores escândalos contábeis já vistos no país.
Como o esquema teria funcionado

Parte da fraude estaria ligada ao chamado risco sacado. Nessa operação, comum no setor, a empresa antecipa o pagamento aos fornecedores usando um empréstimo do banco. No caso da Americanas, segundo a investigação, essas dívidas com os bancos sumiam do balanço, como se já estivessem quitadas.
Outro ponto são os contratos de verba de propaganda cooperada (VPC), que são incentivos dados por fornecedores para divulgar produtos. A PF afirma que a empresa registrava VPCs que nunca existiram, o que aumentava os ganhos no papel.
Como o caso começou
A fraude veio à tona em 11 de janeiro de 2023, quando a Americanas admitiu um rombo de cerca de R$ 20 bilhões. As perícias feitas depois elevaram esse valor para até R$ 54 bilhões. Logo após a revelação, a empresa entrou em recuperação judicial, um processo usado para tentar pagar as dívidas e evitar a falência.
A primeira fase da Operação Disclosure foi em junho de 2024 e teve como foco os ex-diretores. Naquele momento, a Justiça bloqueou mais de R$ 500 milhões, valor bem menor do que o pedido agora, e o ex-presidente da empresa, Miguel Gutierrez, chegou a ser preso na Espanha, mas foi solto meses depois. Em março de 2025, o MPF denunciou 13 ex-executivos e ex-funcionários acusados de manipular os resultados e enganar investidores.
O que dizem os citados
Os acionistas de referência afirmaram, em nota, que foram surpreendidos pela operação e que tanto eles quanto o Conselho de Administração foram enganados pela antiga diretoria. Dizem colaborar com as autoridades desde 2023 e que ainda não tiveram acesso à decisão completa da Justiça.
A Americanas informou que não foi alvo de buscas e que a ação se refere à fraude revelada em 2023. Itaú, Bradesco e Santander disseram colaborar com as investigações; o Itaú destacou que não é investigado e que recusou pedidos da antiga gestão para alterar documentos.
O caso Americanas segue em apuração e deve ganhar novos capítulos nas próximas semanas. Acompanhe o Alerta Gov para entender, em primeira mão, cada etapa da investigação e seus impactos!












