A conta de luz de maio vai chegar mais cara — e a mudança foi anunciada na sexta-feira (24). A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) acionou a bandeira tarifária amarela para maio de 2026.
Confira o que é a bandeira tarifária, quanto vai custar a mais na sua fatura, quais são as causas da mudança, o que pode vir pela frente e como reduzir o impacto no bolso.
O que é a bandeira tarifária e como funciona
O sistema de bandeiras tarifárias foi criado pela Aneel em 2015 para sinalizar, em tempo real, os custos de geração de energia elétrica no Brasil. Antes desse modelo, os custos extras de geração eram repassados apenas no reajuste anual de cada distribuidora — com incidência de juros. Agora, os encargos são cobrados mensalmente e transferidos às distribuidoras pela chamada “conta Bandeiras”.
O sistema funciona com quatro níveis de alerta, do mais tranquilo ao mais crítico. O adicional é cobrado proporcional ao consumo e aparece discriminado na fatura de energia como um item separado. Confira os níveis:
| Bandeira | Adicional por 100 kWh | Situação dos reservatórios |
| Verde | R$ 0,00 | Condições favoráveis de geração — sem custo extra |
| Amarela ◄ MAIO/26 | R$ 1,885 | Atenção: reservatórios com volume abaixo do esperado |
| Vermelha 1 | R$ 3,971 | Condições mais críticas de geração |
| Vermelha 2 | R$ 7.877 | Condições muito críticas — uso intenso de termelétricas |
| Escassez hídrica | R$ 14.200 | Risco à segurança do sistema — último nível |
Os valores dos adicionais são atualizados anualmente pela Aneel. A bandeira é definida no último dia útil de cada mês e vale para o mês seguinte.
Quanto vai custar a mais na fatura de maio
O impacto na fatura depende do consumo de cada residência. Com o adicional de R$ 1,885 por 100 kWh, a conta extra varia bastante entre perfis de consumo. Veja os exemplos:
| Consumo mensal | Custo extra estimado | Perfil |
| 100 kWh | R$ 1,89 | Residência muito pequena ou econômica |
| 187 kWh | R$ 3,52 | Média nacional |
| 250 kWh | R$ 4,71 | Residência média com ar-condicionado |
| 400 kWh | R$ 7,54 | Residência grande ou com maior consumo |
| 600 kWh | R$ 11,31 | Consumo elevado — múltiplos ares-condicionados |
Para calcular o impacto na sua conta: multiplique o seu consumo mensal em kWh por 0,01885. O resultado é o valor adicional que aparecerá na fatura de maio.
Por que a bandeira mudou para amarela em maio
A decisão da Aneel de acionar a bandeira amarela tem origem na redução do volume de chuvas durante o período de transição para a estação seca. Os reservatórios das hidrelétricas operam com nível abaixo do esperado, o que obriga o sistema elétrico a recorrer a usinas termelétricas, cujo custo de geração é mais alto. Dois fatores técnicos pesam na decisão:
- GSF (Risco Hidrológico): índice que mede a disponibilidade de água nos reservatórios em relação ao previsto. Quando cai abaixo do esperado, é o principal gatilho para o acionamento de bandeiras mais caras.
- PLD (Preço de Liquidação de Diferenças): valor calculado para a energia a ser produzida em cada período. O aumento do PLD também pressionou a decisão de mudar a bandeira.
O cenário pode piorar no segundo semestre. A possibilidade de El Niño, que tende a aumentar temperaturas e reduzir chuvas no Norte e Nordeste do país, representa um fator de risco adicional para os próximos meses — o que pode levar ao acionamento de bandeiras ainda mais caras que a amarela.
Quem é isento do adicional da bandeira amarela
A cobrança extra incide sobre a maior parte dos consumidores, mas há grupos que ficam de fora — total ou parcialmente. Antes de calcular o impacto na sua fatura, vale verificar se você se enquadra em algum desses perfis:
- Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE): beneficiários inscritos no Cadastro Único (CadÚnico) com renda de até meio salário mínimo per capita têm desconto de até 65% na conta e ficam isentos do adicional da bandeira tarifária na faixa de consumo subsidiada.
- Consumidores de baixo consumo: quem consome até 30 kWh por mês e está na Tarifa Social não paga pelo adicional. Para os demais, o custo extra incide sobre toda a quantidade consumida.

Como reduzir o impacto na conta de luz em maio
A boa notícia é que a bandeira amarela ainda é o nível mais leve de cobrança — e reduzir o consumo mesmo em pequenas doses já compensa o adicional. Com mudanças simples no dia a dia, é possível neutralizar boa parte do custo extra. Veja as principais ações práticas:
- Ar-condicionado: prefira mantê-lo entre 22°C e 24°C. Cada grau a menos representa aumento de até 8% no consumo do aparelho. Use o modo automático ou timer para desligar durante a madrugada.
- Chuveiro elétrico: é um dos maiores consumidores da residência. Reduzir o tempo de banho em apenas 2 minutos pode gerar economia relevante ao longo do mês, especialmente em famílias grandes.
- Geladeira: evite abri-la com frequência desnecessária e mantenha a borracha de vedação em bom estado. Uma geladeira com vedação danificada consome até 30% mais energia.
- Iluminação: substitua lâmpadas incandescentes por LED, que consomem até 80% menos energia. Desligue as luzes ao sair dos cômodos
- Aparelhos em stand-by: TVs, videogames, carregadores e outros dispositivos em espera consomem energia mesmo sem estar em uso ativo. Desconectá-los da tomada quando não utilizados é uma medida simples e eficaz.
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