O deputado Kim Kataguiri informou em audiência na Câmara que recebeu denúncias sobre o controle dos cartões do Bolsa Família por traficantes, prejudicando parte da população em situação de rua.
A questão foi debatida na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados em Brasília, onde foram apresentados relatos de uso irregular do benefício.
Público atendido e inclusão da população de rua
O Bolsa Família, segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social e Combate à Fome (MDS), atendeu 19 milhões de famílias em 2025, incluindo 277 mil pessoas em situação de rua, que foram incluídas por prioridade do governo federal.
Durante a audiência, Kim Kataguiri destacou denúncias de autoridades de segurança e profissionais que atendem a população em situação de rua, que afirmam que traficantes ficam com os cartões do programa.
Relatos de uso irregular e vulnerabilidade social
A denúncia tem como foco os beneficiários em situação de rua que, devido a critérios do programa, têm direito ao Bolsa Família, mas, segundo relatos, entregam seus cartões aos traficantes em troca de substâncias ilícitas.
Depoimento de autoridade local e defesa da reavaliação
O vereador de Joinville (SC), Mateus Batista, do União, afirmou que o governo federal incluiu a população em situação de rua entre os grupos prioritários do programa, o que, na prática, estaria favorecendo o acesso às drogas.
“E aí a gente enxerga esses vários relatos de todas as forças de segurança, de todos os profissionais dessa área; de moradores de rua que já deixam o cartão do Bolsa Família com o próprio traficante e só vão no final do mês receber a droga”, disse.
Ele defendeu que os critérios do programa sejam reavaliados para evitar que o benefício facilite o acesso a drogas.
Posicionamento do governo e defesa do programa
Em defesa do Bolsa Família, o deputado Merlong Solano (PT-PI) argumentou que, apesar das denúncias, o público em situação de rua representa uma pequena parcela dos beneficiários, e os possíveis desvios não justificam mudanças estruturais no programa.
Representantes do MDS reforçaram que o principal objetivo do Bolsa Família é combater a fome e retirar pessoas da pobreza extrema, enquanto o tratamento da dependência química compete a outras políticas públicas.

Dados sobre vulnerabilidade e uso de drogas na população de rua
Pesquisas municipais indicam que conflitos familiares e uso de drogas são as principais causas da população de rua. Em São Paulo, 40,9% apontam conflitos familiares, e 33,3% dependência química. No Rio de Janeiro, 81,8% dos moradores de rua consomem algum tipo de droga, segundo dados recentes.
Discussão sobre fraudes e aprimoramento da fiscalização
Kim Kataguiri também mencionou casos de fraudes no programa, como famílias unipessoais recebendo valores mais altos do que famílias maiores, e defendeu melhorias na fiscalização para impedir irregularidades.
Até o momento, não há proposta formal para mudanças no Bolsa Família relativas à população em situação de rua. As denúncias seguem sendo analisadas pela Comissão de Finanças e Tributação, que deve promover novas audiências técnicas para aprimorar o controle do programa.
Próximos passos e encaminhamentos
Os próximos passos incluem análise técnica detalhada das denúncias e possíveis ações legais com a participação dos órgãos competentes. O debate mantém-se aberto para garantir que o Bolsa Família cumpra seu papel social sem ser usado indevidamente.
Aproveite para assistir ao vídeo abaixo e saiba quando os beneficiários do Bolsa Família precisarão substituir o RG pela nova identidade:
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