O Dia do Frete Grátis chegou com promoções em centenas de lojas — e também com fraudes que aproveitam as compras para enganar consumidores.
A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, emitiu alerta na segunda-feira (27) com orientações para que o consumidor aproveite as ofertas sem cair em armadilhas.
Os dados justificam a preocupação: 44.143 reclamações foram registradas no Consumidor contra o e-commerce apenas de janeiro a março de 2026, um salto de 89% em relação ao mesmo período de 2025.
Confira o que é o evento, os principais golpes aplicados na data, como identificar promoções falsas, como proteger seus dados, como verificar a reputação das lojas, quais métodos de pagamento são mais seguros e o que fazer se cair em uma fraude.
O que é o Dia do Frete Grátis 2026
O Dia do Frete Grátis é uma ação coletiva do comércio eletrônico brasileiro, realizada anualmente no último dia de abril.
Em 2026, o evento ocorre nesta terça-feira, 28 de abril. A proposta é que lojas participantes ofereçam frete gratuito ou com desconto em compras.
O evento movimenta plataformas de todos os portes. Os setores com maior volume de reclamações que também concentram as principais promoções são vestuário e artigos pessoais, móveis e colchões e aparelhos celulares.
São exatamente nesses segmentos que os golpistas montam lojas falsas e promoções fabricadas para roubar dinheiro e dados dos consumidores.
Principais golpes aplicados durante o evento
Os fraudadores usam o contexto das promoções para criar situações que parecem oportunidades legítimas. Conhecer as táticas mais comuns é o primeiro passo para não cair nelas:
- Lojas falsas criadas para o evento: sites e perfis em redes sociais montados especificamente para o Dia do Frete Grátis, com visual profissional, logotipos copiados de marcas conhecidas e preços muito abaixo do mercado. Após receber o pagamento, some sem entregar o produto.
- Links falsos enviados por WhatsApp e e-mail: mensagens que imitam comunicações de grandes varejistas (Americanas, Shopee, Mercado Livre, Shein etc.) com links para “promoções exclusivas”. O link leva a uma página falsa que captura dados do cartão.
- Frete grátis que esconde cobrança: o valor do frete é embutido no preço do produto ou cobrado como “taxa de manuseio”, “embalagem especial” ou outros nomes. A oferta parece gratuita, mas o custo final é igual ou maior do que em outras lojas.
- Publicidade enganosa: preço exibido na vitrine diferente do cobrado no carrinho, desconto calculado sobre um preço de referência artificial (inflado dias antes) ou condicionamento de benefícios a uma compra mínima não informada com clareza.
- Phishing por QR Code: códigos QR em panfletos, embalagens ou mensagens que direcionam para páginas falsas. Ao inserir os dados do cartão para “finalizar a compra”, o consumidor entrega as informações diretamente ao golpista.
Como identificar promoções falsas
Nem toda oferta é golpe — mas algumas características são sinais de alerta que merecem atenção antes de colocar qualquer dado no site:
- Preço muito abaixo do mercado: pesquise o mesmo produto em pelo menos três lojas conhecidas antes de comprar. Se a oferta estiver 40%, 50% ou 70% mais barata do que a média do mercado, é um sinal de fraude.
- Site sem CNPJ ou endereço físico: lojas legítimas devem exibir o CNPJ no rodapé do site. Pesquise o número no portal da Receita Federal para confirmar que a empresa existe e está ativa.
- Desconto calculado sobre preço inflado: compare o preço atual com o histórico da loja usando ferramentas como Zoom ou Buscapé. É uma prática comum aumentar o preço de referência nos dias anteriores ao evento.
- Confira o valor final antes de pagar: verifique se o frete realmente é zero no carrinho e se não há cobranças adicionais disfarçadas de outras taxas. A oferta anunciada deve corresponder exatamente ao valor cobrado.

Dicas para proteger seus dados pessoais
Dados pessoais e financeiros são o principal alvo dos golpistas em eventos de compras. Adotar algumas dicas simples reduz o risco de exposição:
- Acesse o site diretamente, sem clicar em links: digite o endereço da loja no navegador ou use os aplicativos oficiais. Não clique em links recebidos por WhatsApp, SMS, e-mail ou redes sociais, mesmo que pareçam vir de lojas conhecidas.
- Verifique o cadeado e o endereço do site: o endereço deve começar com https:// e corresponder exatamente ao domínio oficial da loja. Golpistas criam domínios parecidos, como “americanas-fretegratis.com” ou “shopee-promo.net”.
- Guarde comprovantes de tudo: salve capturas de tela da oferta, do carrinho, do valor cobrado e do comprovante de pagamento. Esses registros são fundamentais em caso de reclamação ou ação judicial.
- Use um cartão virtual de uso único: muitos bancos e fintechs permitem gerar números temporários vinculados ao seu cartão. Mesmo que o dado seja capturado, o número já expirou após o uso.
Verificando a reputação das lojas online
Pesquisar a loja antes de comprar é um dos hábitos mais eficazes para evitar fraudes. Três fontes complementares ajudam a construir uma visão confiável sobre a reputação do vendedor:
- Reclame Aqui: acesse e busque o nome da loja. Verifique não apenas a quantidade de reclamações, mas o índice de resolução e o tempo médio de resposta da empresa.
- gov.br: plataforma oficial do governo federal para mediação de conflitos de consumo. Permite verificar se a empresa tem histórico de descumprimento de acordos e se está cadastrada na plataforma.
- Busca pelo nome da loja + “golpe” ou “fraude”: uma pesquisa simples no Google com o nome da loja acompanhado dessas palavras pode revelar alertas de outros consumidores ou matérias jornalísticas sobre irregularidades.
Utilizando métodos de pagamento seguros
A forma de pagamento escolhida pode ser a diferença entre recuperar o dinheiro ou perder tudo em caso de fraude. A Senacon recomenda:
- Cartão de crédito é o mais seguro: permite contestar cobranças indevidas e solicitar o estorno (chargeback) diretamente com a operadora em caso de fraude ou não entrega. É a opção com maior proteção ao consumidor.
- Evite transferências diretas e Pix para pessoas físicas: o Pix é irreversível. Pagamentos feitos por Pix para contas de pessoas físicas (CPF) em vez de empresas (CNPJ) são o método favorito de golpistas, pois o dinheiro some instantaneamente.
- Nunca pague fora da plataforma: se o vendedor pedir para finalizar a compra por WhatsApp, e-mail ou conta pessoal, é golpe. Compras legítimas são sempre concluídas dentro do sistema da loja ou marketplace.
- Boleto: verifique o CNPJ do beneficiário: antes de pagar um boleto, confirme se o CNPJ do beneficiário corresponde à empresa com quem você fez a compra. Boletos falsos são gerados com dados de outras empresas para desviar o pagamento.
O que fazer se cair em um golpe
Se você perceber que foi enganado(a), a rapidez na ação aumenta as chances de recuperar o dinheiro ou ao menos responsabilizar o fraudador. Siga esses passos:
- Bloqueie o cartão imediatamente: se forneceu dados do cartão, entre em contato com o banco e solicite o bloqueio e a contestação da transação. Faça isso antes de qualquer outra ação.
- Registre um boletim de ocorrência: em qualquer delegacia ou pela delegacia virtual do seu estado. O B.O. é obrigatório para acionar o seguro do banco e para processos judiciais.
- Reclame no Consumidor.gov.br: acesse consumidor.gov.br e registre a ocorrência. A plataforma tem alto índice de resolução e é monitorada pelo governo federal.
- Acione o Procon: o órgão estadual de defesa do consumidor pode aplicar multas à empresa e mediar acordos. Guarde todos os comprovantes da compra para apresentar na ocorrência.
- Condições do CDC: o art. 49 do Código de Defesa do Consumidor garante arrependimento em até 7 dias após o recebimento para compras pela internet, com reembolso integral, incluindo o frete. Se a empresa se recusar, procure o Procon ou a Justiça.
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