O mercado de trabalho brasileiro fechou o trimestre de junho a agosto de 2026 com desemprego de 5,3% e 103,5 milhões de pessoas ocupadas, o maior total desde o início da série. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O que diz o IBGE sobre o desemprego e a ocupação no trimestre
A taxa de desocupação de 5,3% ficou três décimos de ponto percentual abaixo dos 5,6% de março a maio. O mesmo patamar de 5,6% havia sido medido no trimestre encerrado em agosto de 2025, o que confirma a queda também na comparação de um ano.
A fila de quem busca trabalho diminuiu. De 6,1 milhões no trimestre anterior, os desocupados passaram a 5,8 milhões, ou 281 mil a menos. Em relação a 2025, a redução foi de 300 mil pessoas.
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RECEBER ALERTAS →No sentido oposto, a ocupação cresceu 774 mil pessoas em três meses (0,8%) e 1,1 milhão em doze meses (1,0%).
Nível da ocupação e força de trabalho também avançam
O nível da ocupação indica que parcela das pessoas em idade de trabalhar está empregada. Ele subiu de 58,6% para 58,9% no trimestre e ficou praticamente igual ao de um ano antes (58,8%).
A força de trabalho, que soma ocupados e desocupados, chegou a 109,3 milhões, novo recorde. Foram 493 mil pessoas a mais que no trimestre anterior e 760 mil a mais que em 2025.
Nesse trimestre, foram 774 mil novos ocupados para 493 mil novas pessoas na força de trabalho. Como as vagas superaram quem chegou ao mercado, a diferença de 281 mil saiu da fila do desemprego.
Quais setores mais contrataram

Dois setores explicam a maior parte do aumento de pessoas trabalhando entre março e maio e o trimestre encerrado em agosto. São a Construção e a Construção .
A Construção teve o maior avanço: cresceu 4,1%, o que representa 306 mil pessoas ocupadas a mais. A Indústria geral cresceu 2,0%, com 265 mil pessoas a mais.
Somados, os dois setores chegam a 571 mil pessoas. Isso equivale a quase três quartos dos 774 mil novos ocupados do trimestre.
Nos demais setores, o IBGE não detectou mudança no número de ocupados. Isso não quer dizer que não houve contratações, mas que o resultado ficou dentro da margem de estabilidade da pesquisa.
Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, o cenário muda. O destaque foi Transporte, armazenagem e correio, que cresceu 6,1%, com 358 mil pessoas a mais. Esse único setor responde por cerca de um terço do 1,1 milhão de novos ocupados em um ano.
Carteira assinada, informalidade e conta própria
Os empregados do setor privado com carteira assinada, sem contar os domésticos, chegaram a 39,5 milhões, o maior número da série. O dado, porém, ficou estável frente ao trimestre anterior e a 2025.
A informalidade atingiu 37,5% dos ocupados, ou 38,8 milhões de pessoas. Em março a maio, era de 37,3% (38,3 milhões), e em junho a agosto de 2025, de 38,0% (38,9 milhões).
Outros grupos não se moveram: 13,7 milhões de empregados sem carteira, 26,1 milhões de trabalhadores por conta própria e 5,5 milhões de domésticos.
Rendimento médio e massa de rendimento
O rendimento habitual de todos os trabalhos foi de R$ 3.777. Não mudou no trimestre, mas subiu 3,7% em um ano.
A massa de rendimento, soma de tudo o que os ocupados recebem, chegou a R$ 385,6 bilhões, recorde da série. O crescimento foi de 1,4% no trimestre (R$ 5,2 bilhões) e de 4,8% no ano (R$ 17,5 bilhões).
Na comparação anual, ganharam mais os trabalhadores por conta própria (5,3%), os domésticos (4,6%) e os empregados com carteira (2,4%). Por atividade, o Comércio teve alta de 4,8% e a Indústria, de 4,0%.
Subutilização, desalento e subocupação
A taxa composta de subutilização foi de 13,1%. Ela reúne desocupados, subocupados por insuficiência de horas e pessoas que queriam trabalhar, mas não buscaram vaga ou não estavam disponíveis. Ficou estável no trimestre (13,3%) e caiu 1,0 ponto percentual em um ano (14,1%).
Os desalentados, que desistiram de procurar emprego por achar que não encontrariam, são 2,4 milhões. O número recuou 11,9% no ano, o que representa 317 mil pessoas a menos.
Os subocupados por insuficiência de horas, que trabalham menos do que gostariam, somam 4,3 milhões. Houve estabilidade no trimestre e queda de 6,2% em um ano.
Como o IBGE calcula esses indicadores
A pesquisa separa a população em idade de trabalhar em três grupos. Ocupados são os que exerceram alguma atividade na semana de referência. Desocupados não trabalharam, mas procuraram vaga e podiam começar. Quem não trabalha nem procura emprego fica fora da força de trabalho.
A taxa de desocupação compara os desocupados apenas com a força de trabalho. Por isso, quem desiste de procurar não entra no cálculo, e indicadores como o desalento ajudam a completar o quadro.
Os resultados usam trimestres móveis, que reúnem três meses seguidos e avançam mês a mês. O período de junho a agosto é comparado a março a maio, para mostrar a mudança recente, e a junho a agosto de 2025, para comparar épocas equivalentes do calendário.
O que esses números indicam para o trabalhador
Há mais gente empregada, menos gente em busca de vaga e renda maior que a de um ano atrás. O avanço da Indústria e da Construção mostra onde a abertura de postos foi mais forte no período.
Ainda assim, vários indicadores ficaram estáveis no trimestre, e a informalidade segue alta, com 38,8 milhões de trabalhadores sem vínculo formal.
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