A Receita Federal informou que cerca de 2,2 milhões de declarações do Imposto de Renda 2026 caíram na malha fina.
O número equivale a aproximadamente 5% dos 44,4 milhões de documentos entregues no prazo e ficou próximo do registrado em 2025, segundo o supervisor do Imposto de Renda do órgão, José Carlos da Fonseca.
Confira, a seguir, por que o índice começou a temporada em patamar elevado, como verificar a situação pelo sistema da Receita e o que fazer para corrigir pendências!
Malha fina de 2026 ficou maior que a de 2025? Veja os dados
Antes dos números, vale entender o termo. Cair na malha fina significa que a declaração ficou retida pela Receita por causa de alguma inconsistência: em vez de ser processada normalmente, ela passa por uma análise mais detalhada até a pendência ser resolvida.
Em 2026, a malha reteve 4,97% das declarações ao fim da temporada — os cerca de 2,2 milhões de contribuintes. O índice ficou um pouco acima dos 4,68% de 2025, mas a proporção é parecida, mesmo com 4 milhões de declarações a mais neste ano, em um total de 44,4 milhões.
O número também não foi estável. Ao longo da temporada, ele caiu bastante:
- fim de março: perto de 11%, acima da média histórica de 8% a 9%;
- metade do prazo: 6,61% das declarações retidas;
- fim de maio: 4,97%, no encerramento da entrega, em 29 de maio.
Segundo Fonseca, a redução acompanhou as correções feitas pelas empresas que enviam dados ao Fisco ao longo do período.
O fim da Dirf: entenda o principal erro nas declarações
Até 2025, as empresas enviavam à Receita um documento chamado Dirf, que reunia os rendimentos e os impostos pagos por cada trabalhador. Em 2026, esse documento deixou de existir. Agora os dados vêm do eSocial e da EFD-Reinf, sistemas que já concentram informações de salários e contribuições.
Na mudança, parte das empresas enviou os dados com classificação errada. O erro apareceu na declaração pré-preenchida, que mostrou valores divergentes, e muitos contribuintes foram retidos sem ter cometido falhas. Fonseca afirma que poucas empresas erraram e que o problema deve diminuir nos próximos anos.
Outros motivos que levam à malha fina

A retenção não está ligada apenas à transição de sistema. O programa da Receita compara cada declaração com dados de bancos, empresas e profissionais de saúde. Quando algo não confere, o documento vai para análise. Os casos mais comuns são:
- Despesas médicas: valores deduzidos que não batem com o que clínicas, hospitais e profissionais informaram à Receita.
- Omissão de rendimentos: salários, aluguéis ou outras receitas tributáveis deixados de fora da declaração.
- Divergência com bancos: movimentações de contas e investimentos diferentes do que foi declarado.
- Falta de entrega: quando a pessoa era obrigada a declarar e não enviou o documento ao Fisco.
Como consultar a situação da sua declaração no e-CAC
Para descobrir o motivo da retenção, o contribuinte precisa acessar o e-CAC (Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte), no site da Receita Federal. O acesso exige conta gov.br nos níveis prata ou ouro. Dentro do sistema, o caminho é simples:
- entre em “Declarações e Demonstrativos”;
- abra “Meu Imposto de Renda”;
- selecione a declaração de 2026 para ver a análise.
A própria Receita mostra qual informação está divergente e orienta sobre a correção. Nesse momento, o contribuinte também descobre a origem do problema: o erro pode ter partido dele, da empresa onde trabalha ou de um prestador de serviço cuja nota entrou na declaração. Saber quem errou define o passo seguinte.
Passo a passo para enviar a declaração retificadora
Quando o erro partiu do próprio contribuinte, a saída é enviar a declaração retificadora. Assim que a correção é registrada, o documento deixa a malha fina, e o processo pode ser repetido quantas vezes forem necessárias.
Com a declaração de 2026 já aberta no e-CAC, a correção segue estes passos:
- clique em “Retificar Declaração”;
- ajuste a ficha com a informação incorreta na cópia exibida;
- finalize o envio para concluir a correção.
Por outro lado, quando o erro foi da empresa ou de um prestador de serviço, o contribuinte precisa aguardar o acerto pela fonte responsável. Se a informação não for ajustada, o envio dos comprovantes pelo e-CAC só será liberado a partir de janeiro de 2027.
Não deixe a malha fina virar dor de cabeça em 2027. Acompanhe o Alerta Gov e fique sabendo em primeira mão de cada atualização da Receita sobre o Imposto de Renda 2026.
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