O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou, nesta terça-feira (9), um alerta indicando a possibilidade de um novo episódio de El Niño, fenômeno climático que ocorre quando há um aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e altera a circulação dos ventos.
De acordo com o Inmet, o monitoramento mostra um aumento nas temperaturas, e o boletim oficial confirma uma elevação significativa em maio.
A confirmação oficial do fenômeno depende dos resultados finais, que serão divulgados em uma nova nota técnica do Inmet ainda nesta semana. O El Niño pode causar diferentes impactos dependendo da região, conforme os avisos do órgão.
O que é o El Niño e como ele é detectado
O El Niño é um fenômeno climático global que se confirma quando a temperatura média da superfície do mar em uma área específica do Pacífico permanece 0,5°C acima do normal por pelo menos cinco trimestres consecutivos.
Essa temperatura é medida pelo Índice Oceânico Niño Relativo (RONI), uma métrica climática usada para identificar e monitorar a presença do El Niño.
Segundo o boletim desta terça-feira (9), as análises de maio indicam que esse limite está próximo de ser alcançado.
Como a confirmação do El Niño pode afetar o Brasil
De acordo com o Inmet, caso o El Niño seja confirmado, o país pode observar alterações distintas no regime de chuvas e no clima de cada região.
Região Sul: tendência de chuvas acima da média
Estados do Sul, especialmente o Rio Grande do Sul, costumam experimentar chuvas mais frequentes e intensas, resultando em maior risco de tempestades e alagamentos. O fenômeno favorece o transporte de umidade da Amazônia, o que pode agravar eventos meteorológicos severos.
Nordeste e Norte: risco de seca e estiagem
No Nordeste, a atuação do El Niño geralmente está associada à redução das chuvas, ampliando riscos de estiagem e agravando a disponibilidade de água na região. O Norte também pode apresentar déficits hídricos em períodos de El Niño intenso.
Centro-Oeste e Sudeste: alterações variáveis
Impactos nas regiões Centro-Oeste e Sudeste costumam variar em intensidade, sendo observada possível elevação das chuvas em algumas áreas e seca em outras, conforme apontam compilações históricas do Inmet.

Situação e próximos passos do monitoramento climático
O Inmet afirma que o monitoramento ocorre de forma contínua, com acompanhamento das temperaturas oceânicas, de indicadores atmosféricos e de boletins de centros internacionais. As últimas medições na região Niño 3.4 do Pacífico indicam um aquecimento persistente desde maio, atingindo 0,7°C em junho.
Segundo projeções do instituto, há possibilidade de o El Niño se confirmar tecnicamente no trimestre abril-maio-junho de 2026, mas a confirmação oficial depende da consolidação dos dados nos próximos boletins.
O Inmet planeja divulgar uma nota técnica detalhada sobre a situação ainda nesta semana, detalhando a evolução das anomalias de temperatura e as implicações para o clima brasileiro.
Contexto recente dos eventos de El Niño no Brasil
Eventos de El Niño têm sido registrados em intervalos regulares nas últimas décadas, sendo 2015-2016 e 2023-2024 alguns dos mais recentes, com impactos diretos na agricultura, abastecimento de água e ocorrência de desastres naturais.
Em anos anteriores, o fenômeno contribuiu para extremos como secas prolongadas no Nordeste e chuvas severas no Sul, impactando áreas urbanas, rurais e a produção agrícola nacional.
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