Uma nota técnica de órgãos federais aponta 60% de chance de o El Niño se formar no segundo semestre de 2026, com efeitos que podem durar até o início de 2027.
O assunto foi discutido nesta quarta-feira (10 de junho) em reunião da Defesa Civil Nacional, que reuniu órgãos do governo e centros de monitoramento para preparar a resposta ao fenômeno. A volta do El Niño já é dada como certa, mas a sua força ainda é incerta.
Veja, a seguir, o que é o fenômeno, o que ele deve provocar em cada região do país e como o governo se prepara.
El Niño deve voltar no fim de 2026: entenda o que é
O El Niño é o aquecimento fora do normal das águas do Oceano Pacífico.
Esse calor a mais muda o clima em várias partes do mundo, inclusive no Brasil, alterando o volume de chuvas e as temperaturas por meses seguidos. Trata-se de um fenômeno natural que se repete de tempos em tempos, a cada poucos anos, e não de algo novo.
A chance de 60% de o fenômeno se formar no segundo semestre está em uma nota técnica assinada por quatro instituições que monitoram o clima, entre elas o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Para o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), a volta do El Niño é praticamente certa, mas ainda não dá para saber se ele será fraco ou forte.
O INPE projeta uma intensidade de moderada a forte, com o auge previsto para a primavera, já que as águas do Pacífico vêm esquentando aos poucos. Além do INPE, assinam a nota o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).
Impactos do El Niño no Brasil: mais chuva no Sul e seca no Norte e Nordeste

O ponto mais importante para a população é que o El Niño não age da mesma forma em todo o país. As projeções para o trimestre de junho, julho e agosto apontam dois cenários opostos:
- Centro-sul: chuvas acima da média, com o Rio Grande do Sul como o estado que pode ser mais afetado. O volume maior de água eleva o risco de alagamentos, enxurradas e deslizamentos;
- Norte e Nordeste: seca severa, com risco de incêndios florestais e ondas de calor a partir de agosto e setembro.
Esse contraste é comum durante o El Niño no Brasil: enquanto o Sul recebe mais chuva e enfrenta temporais, o Norte e o Nordeste convivem com tempo seco, calor forte e maior chance de queimadas.
Seca pode pesar nos reservatórios e na conta de luz
O lado mais seco do El Niño tende a cobrar seu preço além do campo. Com menos chuva no Norte e no Nordeste, o nível dos reservatórios pode cair, o que afeta o abastecimento de água nas cidades e a geração de energia em usinas hidrelétricas.
Quando os reservatórios baixam, o país costuma acionar usinas mais caras para garantir a eletricidade, movimento que, em outros anos de seca, já pressionou a conta de luz. Por isso, o comportamento das chuvas nos próximos meses será acompanhado de perto também pelo setor elétrico.
Esse cenário se soma ao risco já citado de queimadas e ondas de calor, que sobrecarregam a saúde e o meio ambiente justamente no período mais seco do ano.
Como o governo se prepara para o fenômeno
A coordenação está com a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), ligada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). É ela que acompanha o avanço do El Niño dia a dia e orienta estados e municípios sobre como agir.
O trabalho envolve vários ministérios, como Saúde, Desenvolvimento e Assistência Social e Direitos Humanos, além dos institutos de pesquisa, para proteger as pessoas mais expostas a desastres. A Defesa Civil mantém reuniões diárias para antecipar os cenários e agir antes que os eventos extremos aconteçam.
Como o fenômeno pode atuar até o início de 2027, esse acompanhamento deve seguir por vários meses, com foco em reduzir perdas e organizar o socorro às cidades atingidas.
O clima dos próximos meses vai exigir atenção em todo o país. Acompanhe o Alerta Gov e fique por dentro dos avisos da Defesa Civil sobre o El Niño na sua região!












