O governo federal lançou uma nova etapa do Desenrola Brasil voltada especificamente para empresas que enfrentam dificuldades financeiras.
A iniciativa busca facilitar a renegociação de dívidas de pequenos negócios, ampliar o acesso ao crédito e reduzir os impactos da inadimplência no setor empresarial.
As regras foram atualizadas em 2026 e incluem mudanças importantes nos critérios de participação e nas condições de pagamento. Além disso, o modelo de renegociação passa a funcionar diretamente com bancos e instituições financeiras participantes.
Confira como funciona.
O que é o Desenrola Brasil para empresas?
O Desenrola Empresas é uma das verticais do Novo Desenrola Brasil, programa federal instituído pela Medida Provisória n.º 1.355/2026.
A frente específica para pessoas jurídicas funciona em paralelo às demais — Desenrola Famílias, Desenrola Fies e Desenrola Rural — todas dentro da mesma estrutura regulatória.
A versão atual tem como meta beneficiar mais de 2 milhões de Cadastros Nacionais de Pessoa Jurídica (CNPJs) durante os 90 dias de mobilização nacional anunciada pelo governo.
O objetivo central do desenho atual é permitir que pequenos empreendedores substituam dívidas mais caras por linhas com melhores condições.
A lógica é reduzir o custo financeiro mensal e melhorar o fluxo de caixa — duas variáveis que costumam definir a sustentabilidade de microempresas em momentos de aperto orçamentário. A iniciativa retoma e amplia conceitos do antigo Desenrola Pequenos Negócios, parte do programa Acredita Brasil.
Aquela versão atendeu microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte (EPPs) com dívidas em atraso há mais de 90 dias, com descontos médios entre 40% e 90% sobre o saldo devedor original.
A operação combina facilidades de renegociação de dívidas existentes com o acesso a novas linhas de financiamento, em desenho integrado entre o Ministério da Fazenda, Banco Central e instituições financeiras participantes.
Regras atualizadas do programa em 2026
As novas regras foram detalhadas em portaria do Ministério da Fazenda, com critérios diferenciados conforme o porte do negócio.
O Desenrola Empresas opera por meio de dois programas federais já existentes, cada um voltado a um segmento específico do setor empresarial. As condições financeiras foram redesenhadas para ampliar o alcance do programa. Os ajustes incluem:
- Limite de financiamento: ampliado de 30% para até 50% do faturamento anual da empresa
- Limite especial: chega a 60% do faturamento para empresas lideradas por mulheres
- Carência inicial: estendida de 12 para até 24 meses antes do início das parcelas
- Prazo total: ampliado de 72 para até 96 meses para quitar a operação
- Tolerância à inadimplência: empresas com mais de 14 dias de atraso passam a conseguir novos créditos sob as regras flexibilizadas
Os tetos absolutos das operações também foram reajustados. Para microempresas atendidas pelo ProCred, o limite chega a R$ 180 mil em valor financiado por contrato.
Já no Pronampe, o limite máximo subiu de R$ 250 mil para R$ 500 mil por CNPJ, dobrando a capacidade de captação dos pequenos negócios em situação regularizada.
A nova operação contratada está submetida ao teto de juros do programa federal, com a possibilidade de uso do Fundo Garantidor de Operações (FGO) como cobertura ao banco.
O mecanismo é o que permite a redução do custo final ao tomador, já que diminui o risco percebido pela instituição financeira na concessão.
Quem pode participar do Desenrola Brasil?
O Ministério da Fazenda dividiu o público beneficiário em duas categorias específicas, separadas pelo teto de faturamento anual da empresa.
Cada grupo é atendido por um programa federal distinto, com condições calibradas conforme o porte do negócio. As duas categorias atendidas são:
- Grupo 1 — ProCred: microempresas com faturamento anual de até R$ 360 mil, faixa que inclui a maior parte dos Microempreendedores Individuais (MEIs) e microempresas iniciantes
- Grupo 2 — Pronampe: micro e pequenas empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões, atendidas pelo Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte
Os requisitos básicos para entrar nas regras especiais incluem situação cadastral ativa na Receita Federal, dívidas em instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central e enquadramento de porte declarado no momento da contratação.
Empresas com pendências fiscais graves podem precisar regularizar a situação antes de acessar o programa. Algumas situações comuns no dia a dia empresarial não impedem a adesão. Estão entre elas:
- Empresas com dívidas espalhadas em mais de uma instituição financeira
- MEIs que migraram para microempresa ao longo do ano e ultrapassaram o teto inicial de R$ 81 mil
- Pequenas empresas com mais de uma operação ativa em programas anteriores, como Pronampe e ProCred
- Negócios em recuperação após período de inatividade temporária registrado na Receita
As exceções ao acesso são poucas e geralmente vinculadas a decisões judiciais específicas que impeçam novas contratações.
Empresas em recuperação judicial, falência decretada ou com bloqueio de CNPJ por ordem da Justiça precisam consultar antes a viabilidade da participação no programa, situação avaliada caso a caso pelo banco credor.

Como renegociar dívidas pelo programa
A renegociação é feita diretamente com o banco credor, sem necessidade de portal centralizado do governo. O modelo descentralizado dá autonomia a cada instituição financeira para definir o canal preferencial de atendimento e o ritmo de implementação interna.
As etapas para conduzir o processo, do contato inicial até a quitação programada, seguem um fluxo padronizado:
- Identificar todas as instituições financeiras com as quais a empresa possui dívida ativa em atraso
- Acessar os canais oficiais do banco — aplicativo PJ, internet banking empresarial, gerente de conta ou central telefônica
- Solicitar a consulta das ofertas disponíveis para o CNPJ dentro das regras do Desenrola Empresas
- Avaliar a proposta apresentada com desconto sobre o saldo, taxa de juros do novo contrato e cronograma de carência
- Reunir documentos comprobatórios de faturamento, como Declaração Anual do MEI (DASN-SIMEI) ou balancete contábil
- Formalizar o acordo no canal indicado, com assinatura digital ou presencial, conforme a política do banco
Os principais bancos com presença em todo o território nacional estão entre os participantes confirmados do programa.
A lista oficial inclui Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú, Santander, Banco Pan, BV, BMG, Sicoob, Nubank, Inter, BRB e Banrisul, entre outras instituições autorizadas pelo Banco Central. A baixa do nome da empresa nos cadastros de inadimplência é processada após o pagamento da primeira parcela do novo contrato.
O prazo médio para limpeza do nome no Serasa Experian, SPC e demais bureaus de crédito empresarial é de 20 dias úteis, contados a partir da formalização do acordo no banco credor. Empresas com dívidas em mais de uma instituição precisam negociar separadamente com cada credor.
Não há limite cumulativo entre bancos diferentes — uma microempresa pode firmar acordos paralelos no Banco do Brasil e no Itaú, por exemplo, respeitando os tetos individuais de cada operação dentro de cada instituição.
Acompanhe diariamente o portal Alerta Gov e fique por dentro de todas as atualizações sobre o programa Desenrola 2.0. Não deixe de assistir ao vídeo completo abaixo:











