O Desenrola 2.0 foi lançado na segunda-feira (4) com novas regras que ampliam o acesso à renegociação de dívidas para pessoas que ganham até cerca de R$ 8 mil.
A nova fase do programa permite descontos, juros mais baixos e condições facilitadas para quem está com o nome negativado. Mas a participação depende de critérios específicos que nem todos conhecem.
Confira quem pode participar e como funciona.
O que é o Desenrola 2.0?
O Desenrola 2.0 é a segunda edição do programa federal de renegociação de dívidas, desta vez instituído por Medida Provisória — o que lhe dá força de lei imediata. O programa está estruturado em quatro frentes:
- Desenrola Famílias: renegociação de dívidas bancárias (cartão, cheque especial, crédito pessoal) para pessoas físicas com renda até R$ 8.105.
- Desenrola FIES: condições especiais para ex-alunos com dívidas do Fundo de Financiamento Estudantil em atraso. Estudantes no Cadastro Único (CadÚnico) podem ter desconto de até 99% do valor total da dívida; fora do CadÚnico, até 77%.
- Desenrola Rural: relançamento do programa para agricultores familiares, com prazo estendido para renegociação de dívidas até 20 de dezembro de 2026.
- Desenrola Empresas: ampliação de prazos e limites de crédito para MEIs (Microempreendedores Individuais) e micro e pequenas empresas.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou que o objetivo vai além da renegociação:
“Isso permite que essa angústia com o nome sujo seja retirada e, ao mesmo tempo, o crédito possa voltar a existir para essas pessoas, mas um crédito melhor, em outras condições.”
Quem pode participar do Desenrola 2.0?
O foco principal do programa é a frente Desenrola Famílias. Para essa modalidade, os critérios são objetivos e já estão definidos na Medida Provisória:
- Renda mensal de até R$ 8.105: equivalente a cinco salários mínimos em 2026. O critério vale para a renda total da pessoa — não da família.
- Dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026: dívidas mais recentes não estão cobertas. O programa foca na inadimplência acumulada antes do início do ano.
- Inadimplência entre 90 dias e 2 anos: o programa cobre dívidas em atraso de 3 meses a 24 meses. Dívidas mais antigas ou mais recentes não se enquadram nesta fase.
- Dívidas elegíveis: cartão de crédito (rotativo e parcelado), cheque especial e crédito pessoal sem consignação (CDC). Empréstimos consignados, financiamentos imobiliários e de veículos ficam de fora.
Para contratos com atraso superior a 360 dias (1 ano), as condições são diferentes das listadas acima — verifique diretamente com o banco as condições específicas para dívidas mais antigas.
Como funciona o programa para quem ganha até R$ 8 mil
Para quem se enquadra no público-alvo, o Desenrola 2.0 oferece três mecanismos simultâneos — que podem ser usados juntos ou separadamente:
- Desconto sobre o saldo devedor: de 30% a 90% sobre o valor total acumulado — já incluindo juros, multas e encargos. O percentual varia conforme o tipo de dívida e a instituição financeira.
- Parcelamento do saldo restante: o valor que restar após o desconto pode ser refinanciado a no máximo 1,99% ao mês em até 150 parcelas (mais de 12 anos). O parcelamento longo facilita o encaixe no orçamento mensal.
- Uso do FGTS: trabalhadores com saldo no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) podem usar até 20% do total disponível para abater a dívida já com desconto. O valor vai direto ao banco credor — sem passar pela conta do trabalhador.

Passo a passo para limpar o nome pelo Desenrola 2.0
Diferente da edição de 2023, o Desenrola 2.0 não tem um portal centralizado do governo. O acesso é feito diretamente pelos canais dos bancos onde você tem dívidas. Siga as etapas:
- Saiba quais são suas dívidas: consulte seu CPF no Serasa (serasa.com.br), no SPC ou diretamente no aplicativo ou site do banco. Identifique quais dívidas se enquadram nos critérios (cartão, cheque especial ou CDC, contratadas até jan/2026, atrasadas entre 90 dias e 2 anos).
- Entre em contato com o banco credor: procure o banco onde a dívida está registrada. Acesse o aplicativo, o site ou ligue para a central de atendimento. Informe que quer renegociar pelo Desenrola 2.0 e solicite as condições disponíveis para o seu CPF.
- Analise a proposta de desconto: o banco apresentará o valor com desconto, as opções de pagamento (à vista ou parcelado) e as condições de uso do FGTS, se aplicável. Compare a parcela do refinanciamento com o seu orçamento antes de aceitar.
- Decida sobre o FGTS: se quiser usar o fundo, autorize pelo próprio sistema do banco. A Caixa Econômica Federal processa a transferência diretamente ao credor.
- Formalize o acordo: após aceitar as condições, assine o acordo digitalmente. Assim que a primeira parcela ou o pagamento à vista for confirmado, o nome sai do Serasa e do SPC — esse processo pode levar alguns dias úteis.
- Cumpra a condição das bets: ao aderir, você concorda automaticamente com o bloqueio de apostas online por 1 ano. Isso vale para apostas via Pix, cartão de crédito e qualquer outra modalidade. Mesmo após o desbloqueio do CPF, modalidades de crédito (cartão e Pix parcelado) permanecem proibidas para apostas
Atenção: o Desenrola 2.0 é gratuito. Qualquer pessoa ou site que cobre taxa para “liberar” o programa ou “agilizar” a renegociação está aplicando golpe. Acesse somente pelos canais oficiais dos bancos ou pelo gov.br/fazenda.
Acompanhe diariamente o portal Alerta Gov para receber todas as informações sobre o programa Desenrola 2.0.











