O Banco Central e o Banco Central Europeu (BCE) vão avaliar se o Pix pode ser conectado à rede europeia de pagamentos.
Nada foi conectado até agora. A própria decisão sobre conectar ou não depende do resultado dessa avaliação, iniciada em 24 de setembro.
Separar o que foi anunciado do que ainda é hipótese muda o que o brasileiro pode esperar no curto prazo.
🔔 Fique por dentro dos seus direitos — grupos gratuitos no WhatsApp
Benefícios, INSS, concursos e alertas do governo avisados na hora, sem pagar nada.
RECEBER ALERTAS →Confira, a seguir, o alcance do que os dois bancos centrais acertaram, o que segue em aberto, como funciona cada uma das redes e outros pontos de atenção.
O passo que as duas autoridades monetárias deram
O que as instituições iniciaram foi a fase de avaliação da viabilidade de interligação entre o Pix e o TARGET Instant Payment Settlement (TIPS), a infraestrutura europeia de liquidação instantânea de pagamentos.
O alcance do que foi acertado
O anúncio marca o início de estudos conjuntos entre as duas instituições. É esse ponto que está definido, e apenas ele.
Os estudos vão tratar dos aspectos técnicos, operacionais, jurídicos e de negócio necessários para conectar as duas plataformas.
Para Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central, a avaliação é uma oportunidade de aproximar duas infraestruturas públicas de referência, com o objetivo de explorar caminhos para tornar pagamentos transfronteiriços “mais rápidos, eficientes, acessíveis e convenientes” para cidadãos e empresas dos dois lados do Atlântico.
Todo o restante está condicionado ao resultado. Ao descrever os efeitos esperados, o próprio comunicado os apresenta como hipótese, dependente de a interligação se mostrar viável.
O que o comunicado deixa em aberto
O anúncio não traz prazo para a conclusão dos estudos nem data para uma eventual implementação, e também não detalha as etapas seguintes.
Não há informação sobre quais equipes conduzem a avaliação nem sobre a existência de fases intermediárias entre o estudo e uma possível conexão.
Qualquer projeção sobre testes, cronograma ou formato de funcionamento vai além do que foi divulgado até agora.
Como funciona cada uma das duas redes
As duas infraestruturas são públicas e operam liquidação instantânea, mas partem de escalas e desenhos diferentes.
| Característica | Pix | TIPS |
|---|---|---|
| Operador | Banco Central do Brasil | Eurosistema |
| Moedas em operação | Real | Euro, coroa sueca e coroa dinamarquesa |
| Tipo de liquidação | Em tempo real, diretamente em moeda de banco central | Imediata, em moedas europeias |
| Volume diário | Cerca de 250 milhões de transações | Não divulgado no comunicado |
O detalhe técnico por trás do Pix
O comunicado registra que o Pix liquida em tempo real diretamente em moeda de banco central. Na prática, isso significa que a operação é fechada nas reservas mantidas na autoridade monetária.
É uma diferença em relação a arranjos em que a transferência apenas circula entre instituições financeiras e só depois é acertada entre elas.
O TIPS, por sua vez, foi desenvolvido pelo Eurosistema para permitir a liquidação imediata de pagamentos em moedas europeias, e hoje opera com três delas.

O que mudaria para quem envia dinheiro
Se a interligação se confirmar viável, brasileiros e europeus poderiam contar com transferências internacionais mais rápidas, mais eficientes e potencialmente menos custosas.
A expectativa descrita pelo Banco Central é que remessas e pagamentos de compras sejam feitos com a disponibilização dos recursos na moeda local do destinatário em poucos segundos.
Isso eliminaria parte das barreiras tradicionalmente associadas às operações transfronteiriças.
Os quatro efeitos citados pelo Banco Central
A avaliação aparece associada a quatro objetivos, todos condicionados ao sucesso da integração: redução de custos, aumento de velocidade, ampliação do acesso e melhora da transparência dos pagamentos internacionais.
Nenhum deles vem acompanhado de número, percentual ou prazo. São apresentados como resultados esperados, e não como metas assumidas pelas duas instituições.
A rede internacional em que o sistema europeu já trabalha
O projeto com o Brasil não é isolado. Segundo o BCE, os trabalhos relacionados ao TIPS incluem iniciativas de conexão com outras infraestruturas.
Três delas são citadas: o Nexus Global Payments, o sistema de pagamentos instantâneos da Índia, conhecido como Unified Payments Interface (UPI), e a infraestrutura instantânea da Suíça.
Do lado brasileiro, a iniciativa integra a agenda evolutiva do Pix e os esforços do Banco Central para ampliar a interoperabilidade do sistema com infraestruturas de pagamento de outras jurisdições.
O pano de fundo comercial da aproximação
A aproximação responde à intensidade dos fluxos econômicos e financeiros entre o Brasil e os países da área do euro.
Esses fluxos devem ganhar novo impulso com o recente Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia.
Os objetivos da avaliação também conversam com o Plano de Ação do Grupo dos Vinte (G20) para o aprimoramento dos pagamentos transfronteiriços, que busca tornar essas operações mais rápidas, baratas, transparentes e acessíveis.
Gostou do conteúdo? Para mais informações sobre Pix e pagamentos digitais, explore o portal Alerta Gov.











