O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou as regras de dois novos programas de crédito do governo: o Fies Empreendedor e o Desenrola Adimplentes.
As normas definem juros, prazos, garantias e quem pode participar de cada linha. Apesar de anunciados juntos, os dois atendem públicos bem diferentes.
Confira, a seguir, para quem serve cada programa e as condições que mais pesam na hora de contratar o crédito.
O que o CMN aprovou para os dois programas
O CMN definiu as regras que faltavam para o Fies Empreendedor e o Desenrola Adimplentes saírem do papel: juros, prazos, garantias, origem do dinheiro e quem pode contratar cada linha. Com isso, os dois passam da fase de anúncio para a de funcionamento.
A diferença básica entre eles está no objetivo e no público, como mostra o resumo:
| Programa | Para quem é | Para que serve |
|---|---|---|
| Fies Empreendedor | Estudantes e ex-estudantes do Fies em dia com o financiamento | Crédito para abrir ou ampliar um negócio |
| Desenrola Adimplentes | Pessoas sem emprego formal e sem benefício previdenciário | Renegociar dívidas e ter acesso a crédito |
Os dois serão operados pelo Banco do Brasil e pela Caixa e nascem da mesma medida provisória. A seguir, veja em detalhe as condições de cada um e o que ainda falta definir.
Fies Empreendedor: crédito para ex-alunos do Fies
Para quem é: estudantes e ex-estudantes do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) que estão em dia com o pagamento do financiamento da faculdade. Manter as parcelas em dia é condição para participar.
Para que serve: é uma linha de crédito para empreender. Pessoas físicas podem usar o dinheiro na atividade empreendedora, e empresas, como capital de giro.
A ideia é dupla: ajudar quem se formou a abrir ou ampliar um negócio e, ao mesmo tempo, incentivar o pagamento regular do Fies.
As condições definidas pelo CMN:
- juros: custo total de até 11,19% ao ano (até 8,94% dos bancos mais 2,06% da União);
- prazo para pessoa física: até 60 meses, com até 6 meses de carência;
- prazo para empresa: até 96 meses, com até 12 meses de carência;
- na carência: os juros não podem ser somados ao saldo devedor.
Os critérios finais de contratação, como quem poderá pegar e quanto, ainda serão detalhados pelo Ministério da Fazenda por meio de portaria.
Desenrola Adimplentes: crédito para quem está na informalidade

Para quem é: pessoas sem vínculo formal de emprego e que não recebem benefícios previdenciários, como aposentadoria ou pensão. Esse é um público que costuma enfrentar mais dificuldade para conseguir crédito no mercado.
Para que serve: facilitar a renegociação de dívidas e abrir as portas do sistema financeiro para esses trabalhadores, com condições melhores do que as de um empréstimo comum.
Como o programa se sustenta:
- recursos: a União poderá disponibilizar até R$ 3 bilhões, conforme o orçamento;
- quem opera: o Banco do Brasil e a Caixa atuam como agentes financeiros;
- como funciona: os dois bancos repassam os recursos às instituições que aderirem ao programa, que fazem as operações com o público final.
Como fica a conta dos juros do Desenrola Adimplentes
Aqui, o CMN definiu a origem e o custo do dinheiro. O financiamento combina recursos públicos e dos bancos, com regras claras de remuneração:
- os recursos da União são remunerados a 1% ao ano;
- a parte dos bancos públicos segue a taxa Selic, hoje em 14,25% ao ano;
- as instituições devolvem os recursos públicos com remuneração de 1,25% ao ano, que cai para 0,5% ao ano quando o próprio Banco do Brasil ou a Caixa fecham a operação.
Na prática, esse desenho tenta baratear o crédito final para o trabalhador, ao misturar dinheiro público mais barato com o dos bancos. A taxa que cada pessoa vai pagar, porém, dependerá da instituição e do perfil de cada cliente.
O que os dois programas têm em comum
As duas linhas foram criadas pela Medida Provisória nº 1.373/2026 e só puderam sair do papel após a regulamentação do CMN, o órgão responsável por definir as regras de crédito do país.
Outro ponto em comum é o objetivo maior: ampliar o acesso ao crédito para quem hoje fica de fora, seja o ex-estudante que quer empreender, seja o trabalhador informal endividado.
Como parte das regras ainda será detalhada, o ideal é acompanhar os canais oficiais e os bancos públicos antes da contratação.
As novas linhas prometem facilitar o acesso ao crédito, mas cada real contratado exige atenção às condições.
Continue no Alerta Gov para acompanhar as regras, os prazos e as datas de início desses e de outros programas do governo.
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