Três mortes ocorridas recentemente em um cruzeiro no Atlântico acenderam o alerta sobre o hantavírus, um agente infeccioso raro, mas perigoso.
Entender o que é o hantavírus, suas formas de contágio e quais medidas existem para controle é fundamental para prevenir complicações graves e proteger a saúde coletiva.
O que é o hantavírus?
O hantavírus é um grupo de vírus mantido principalmente por roedores silvestres, especialmente ratos. Esses animais podem eliminar o vírus pela urina, fezes e saliva. Quando partículas dessas secreções secam, elas podem ficar suspensas no ar e ser inaladas por pessoas em ambientes fechados, galpões ou residências.
O Ministério da Saúde e organizações internacionais reconhecem diferentes cepas do vírus, capazes de causar doenças graves e de rápida evolução.
Como ocorre a transmissão do hantavírus?
O contato próximo ou indireto com roedores infectados é a principal via de contaminação do hantavírus. Isso ocorre principalmente pela inalação de poeira contendo partículas de urina, fezes ou saliva.
Mordidas e arranhões desses animais podem, em situações menos comuns, transmitir o vírus. Casos de transmissão entre pessoas são raríssimos, mas ainda estão sendo investigados.
Quem está em maior risco de se infectar?
Trabalhadores rurais, lavradores, pessoas da limpeza rural, moradores de zona rural e profissionais de manejo ambiental correm mais risco de exposição ao hantavírus. No Brasil, mais de 70% dos casos conhecidos aconteceram em ambientes rurais, especialmente no Centro-Oeste, Sudeste e Sul.
Como identificar a infecção por hantavírus?

Os primeiros sinais de infecção podem surgir entre uma e oito semanas após o contato com áreas contaminadas. Os sintomas iniciais são inespecíficos: febre alta, dores musculares intensas, dor de cabeça, tontura, náusea, vômito e desconforto abdominal.
Na evolução para formas graves, surgem tosse, sensação de aperto torácico, dificuldade respiratória decorrente do acúmulo de líquidos nos pulmões (SCPH) ou sangramento, queda de pressão e comprometimento renal (FHSR). Em geral, a SCPH tem índice de mortalidade próximo a 38% quando há complicações pulmonares.
Números do Hantavírus no Brasil e no mundo
No mundo, estima-se em torno de 150 mil casos por ano de FHSR, principalmente na Ásia e Europa, segundo os Institutos Nacionais de Saúde. Nos Estados Unidos, foram registrados 890 casos de hantavírus entre 1993 e 2023, conforme dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças.
O Ministério da Saúde aponta que, no Brasil, de 1993 até início de 2024, houve 2.377 casos confirmados, dos quais 937 resultaram em morte.
Tratamento: quais opções existem hoje?
Até o momento, não há tratamento específico para infecção por hantavírus. O quadro clínico exige cuidados de suporte intensivo, incluindo oxigenoterapia, ventilação mecânica, controle rigoroso dos sintomas e medidas de estabilização, além de diálise em casos de disfunção renal aguda (FHSR).
Pacientes com manifestações graves são frequentemente internados em unidades de terapia intensiva. Antivirais e imunoglobulinas têm uso experimental, mas nenhum medicamento é comprovadamente eficaz.
Prevenção: como reduzir o risco?
Evitar o contato com roedores e ambientes em que eles circulam reduz drasticamente o risco a saúde. Recomendam-se:
- Vedar aberturas em casas, chácaras e galpões para impedir a entrada de roedores;
- Armazenar alimentos em recipientes fechados e não deixar restos expostos;
- Usar equipamentos de proteção (máscara, luvas, óculos) ao limpar locais contaminados ou suspeitos;
- Umedecer solo e resíduos antes da limpeza para evitar suspensão de partículas;
- Destinar corretamente lixo e entulhos;
- Realizar limpeza do ambiente sempre que possível em áreas ventiladas e com janelas abertas.
Profissionais de saúde reforçam a importância de recorrer ao serviço médico na presença de sintomas após exposição a ambientes de risco.
Processo de diagnóstico e assistência médica
O diagnóstico depende de avaliação clínica e confirmação laboratorial por exames específicos disponíveis em hospitais de referência indicados pelo Ministério da Saúde. O atendimento pode envolver coleta de sangue, exames laboratoriais e estabilização dos sintomas.
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