O governo federal deu mais um passo na modernização do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Uma portaria publicada na quarta-feira (8) no Diário Oficial da União oficializa a teleperícia — a realização de perícias médicas por videoconferência — como procedimento regular da Perícia Médica Federal, com regras e responsabilidades definidas para todas as partes.
Entenda o que muda, como funciona o novo modelo e o que o segurado precisa fazer para garantir que a perícia ocorra sem problemas.
O que é a teleperícia e o que muda com a portaria
A teleperícia é a avaliação médica realizada por videoconferência, em que o perito do INSS atende o segurado à distância. Ela já existia, mas era usada apenas em situações pontuais e sem padronização. Com a Portaria Conjunta DPMF/INSS nº 18/2026, o procedimento passa a ter base normativa oficial.
Na prática, isso significa que o INSS pode agora direcionar segurados para a teleperícia de forma regular — não apenas como exceção. O atendimento será feito pelo Sistema de Atendimento Remoto (SAT Central), e as regras valem tanto para os peritos quanto para as unidades de atendimento envolvidas.
Como funciona o atendimento na prática
O segurado vai até a Agência da Previdência Social (APS) no dia e horário agendados. Ao chegar, passa por uma triagem — momento em que apresenta seus documentos pessoais e médicos digitalizados, que serão anexados ao requerimento. Em seguida, assina um termo de consentimento e aguarda o chamado em uma sala equipada com computador, câmera, áudio e internet.
O perito, conectado de outro local, conduz a avaliação por videoconferência com base nos documentos apresentados e na interação com o segurado. A agência funciona como ponto de apoio — garantindo infraestrutura adequada e identificação segura do beneficiário.

O segurado ainda precisa ir à agência
A presença na APS é obrigatória porque a agência oferece a estrutura tecnológica necessária, garante a autenticidade da identificação do segurado e permite o envio seguro dos documentos médicos.
O que muda é que o médico perito não precisa estar fisicamente na mesma agência — ele pode estar em qualquer outro ponto do sistema conectado ao SAT Central. Isso amplia a disponibilidade de atendimento, especialmente em localidades onde não há peritos lotados.
Quem mais se beneficia com a teleperícia
A principal vantagem da teleperícia é alcançar segurados em municípios remotos onde não há peritos médicos do INSS disponíveis presencialmente. Para esse público, o tempo de espera para a realização da perícia pode ser significativamente reduzido — já que o perito pode atender de qualquer ponto conectado ao sistema.
Os atendimentos serão realizados no contraturno dos peritos que se dispuserem a trabalhar além das metas estabelecidas, em troca de bonificações. Isso permite ampliar a oferta de vagas de perícia sem a necessidade imediata de contratar novos servidores.
Os serviços já autorizados para a teleperícia são a perícia médica inicial — para concessão de benefício por incapacidade — e a avaliação e reavaliação médico-pericial do BPC (Benefício de Prestação Continuada). Outros serviços poderão ser incluídos conforme autorização do Departamento de Perícia Médica Federal.
O que levar no dia da perícia para garantir o atendimento
Seja na modalidade presencial ou remota, a preparação para o dia da perícia é fundamental. Documentos incompletos podem atrasar a avaliação ou exigir um novo agendamento. Separe com antecedência:
- Documento de identificação com foto
- Documentos médicos digitalizados — laudos, exames, relatórios e histórico de tratamentos relacionados à condição de saúde
- Disposição para assinar o termo de consentimento antes do início da videoconferência com o perito
Dicas para se preparar para a teleperícia do INSS
Ser convocado para uma perícia remota pode gerar dúvidas — mas, com organização, o atendimento tende a fluir sem imprevistos. Veja o que fazer antes e no dia:
- Digitalize os documentos médicos com antecedência — laudos, exames e relatórios devem estar legíveis e organizados antes do dia da perícia
- Leve o histórico completo do tratamento, não apenas o documento mais recente — quanto mais informação o perito tiver, melhor será a avaliação
- Chegue antes do horário agendado para passar pela triagem sem pressa e evitar atrasos no chamado
- Confirme o agendamento com antecedência pelos canais oficiais do INSS para garantir que a data e o local estão corretos
- Não leve acompanhante desnecessariamente — verifique com a agência se há permissão, pois as salas de atendimento têm estrutura específica para a videoconferência
- Em caso de dúvida sobre os documentos exigidos, entre em contato com a agência antes do dia da perícia para não ser surpreendido na triagem
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