Uma falsa “intimação fiscal” enviada por WhatsApp usa o nome da Receita Federal para levar o contribuinte a um link. A redação do Alerta Gov recebeu a mensagem nesta quinta-feira (1º) e analisou os elementos usados para dar aparência oficial ao texto.
O aviso fala em pendência vinculada ao Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) e pede um acesso para “regularizar a situação”. Confira, a seguir, como identificar a fraude, o que fazer em cada situação e como a Receita realmente se comunica.
Como identificar a mensagem falsa e o que fazer
Os sinais da fraude na mensagem analisada
A mensagem recebida pela redação reúne cinco sinais de golpe:
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- Número comum com logotipo da Receita. O envio parte de um celular com DDD brasileiro, com a marca do órgão na foto de perfil. O próprio WhatsApp identifica o remetente como “conta comercial” de uma “empresa cadastrada há um mês”.
- Link fora do gov.br. Para “verificar os detalhes”, o texto manda acessar um endereço terminado em “.com” (tributosauferir.com). O site oficial da Receita fica no domínio gov.br.
- Nome e documento completos no texto. A mensagem começa com o nome completo do destinatário e cita o número do documento. Ter esses dados não prova que o remetente é a Receita, porque eles podem ter sido obtidos em vazamentos.
- Assuntos misturados. O texto abre como “intimação fiscal” e termina dizendo que “a geração da sua fatura foi concluída com sucesso”. Os dois avisos não têm relação entre si, o que indica um texto montado para envio em massa.
- Texto colado às pressas. O título “Receita Federal do Brasil” aparece grudado na frase seguinte, sem espaço.
O que fazer em cada situação
Só recebeu a mensagem. O caminho é não clicar no link e bloquear o número, pelo botão “Bloquear” que o próprio WhatsApp exibe na conversa.
Clicou, mas não digitou nada. O recomendado é fechar a página sem preencher nenhum campo e passar um antivírus no aparelho. Segundo a Receita, links desse tipo podem deixar o cidadão vulnerável a vírus e programas que roubam dados pessoais, bancários e fiscais.
Informou senha ou dados bancários. É preciso trocar a senha da conta gov.br, ativar a verificação em duas etapas e avisar o banco pelos canais oficiais, para bloquear transações suspeitas.
Fez algum pagamento. O banco deve ser procurado imediatamente. Se o pagamento foi por Pix, a vítima pode pedir a abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED), criado pelo Banco Central, em até 80 dias após a transação.
Também vale registrar boletim de ocorrência, que em muitos estados pode ser feito pela delegacia virtual, e guardar prints da mensagem e do comprovante.
Como a Receita Federal realmente se comunica
Em alerta divulgado em dezembro de 2025, a Receita afirmou que não envia cobranças por aplicativos de mensagem, e-mail ou links externos. Pendências e notificações legítimas aparecem no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC), acessado com a conta gov.br.
A orientação é digitar o endereço do site oficial da Receita Federal diretamente no navegador, sem usar links recebidos por terceiros. A consulta e a regularização do CPF são feitas pelo próprio contribuinte no portal.
| Ponto de comparação | Mensagem do golpe | Canal oficial da Receita |
|---|---|---|
| Meio de contato | WhatsApp de número comum, com conta comercial recente | e-CAC, acessado pelo gov.br |
| Endereço do site | Domínio “.com” sem relação com o governo | gov.br/receitafederal |
| Forma de regularizar | Clique no link enviado | Consulta feita pelo próprio contribuinte no portal |
| Dados pessoais | Nome e documento expostos no texto | Acesso protegido por login na conta gov.br |
| Tom do texto | Assuntos misturados e pedido de ação imediata | Comunicação formal, sem link de acesso |
Golpe semelhante já era alvo de alerta em 2022
Fraudes com o nome da Receita não são novidade. Em junho de 2022, o órgão já alertava, em reportagem da Agência Brasil, para mensagens por SMS, WhatsApp e e-mail que cobravam uma taxa falsa para “regularizar” o CPF.
Segundo a Receita, houve casos de pessoas que pagaram R$ 275 e depois descobriram que não havia nenhuma pendência. Em outros, a pendência existia, como declaração não entregue ou multa por atraso, e o valor pago aos golpistas não resolveu nada.
Uma das vítimas ainda ouviu da empresa responsável pela cobrança que a correção custaria mais R$ 170. Na época, a Receita reforçou que a regularização do CPF é gratuita e que os alertas enviados pelo órgão não trazem link de acesso.
As mensagens de 2022 já usavam o nome “Receita”, o termo Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) e as cores do órgão e da bandeira nacional para parecer oficiais.
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