A Isenção do Imposto de Renda transformou de modo expressivo o cenário tributário para milhões de brasileiros em 2026. Com a entrada em vigor da nova faixa que isenta integralmente quem recebe até R$ 5 mil mensais, o alívio no bolso dos trabalhadores formais se tornou realidade.
O Departamento Intersindical de Estatísticas Socioeconômicas (Dieese) detalhou, em levantamento recente, os perfis profissionais e sociais que mais se beneficiam dessa mudança, mostrando como a medida tem impacto direto no mercado de trabalho e na economia do país.
Entenda quais categorias têm mais motivos para comemorar – e por que grupos historicamente mais vulneráveis também são incluídos entre os principais beneficiados.
O novo teto de isenção e o perfil dos isentos
Desde a aprovação da nova faixa de isenção do Imposto de Renda no final de 2025, trabalhadores celetistas que recebem até R$ 5 mil mensais passaram a ter imposto zero descontado em folha. Antes da alteração, a faixa de isenção era drasticamente menor, excluindo milhões de baixos e médios assalariados do benefício.
Segundo o Dieese, mais de 15,6 milhões de pessoas do mercado formal foram diretamente beneficiadas. Destas, cerca de 10 milhões passaram a não pagar nada de imposto e outras 5 milhões fizeram jus a redução significativa do tributo, reduzindo o desconto no contracheque.
O efeito direto foi um aumento da renda disponível. Para os trabalhadores com carteira assinada, esse ganho adicional chega a R$ 20,9 bilhões por ano. Funcionários do setor público em regime estatutário veem outros R$ 5,2 bilhões circulando a mais na economia. No total, estima-se em R$ 26,2 bilhões o volume anual acrescido à renda da população economicamente ativa.
Quem está isento: setores que mais ganham com a nova lei

A análise da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) e do Dieese revela que a medida atinge de forma mais intensa os setores e grupos tradicionalmente mais vulneráveis. Categorias com rendimentos próximos ao novo teto de isenção são justamente as que contam com maior proporção de profissionais beneficiados.
Setores industriais e comércio
- Vestuário: Aproximadamente 95% dos trabalhadores estão livres de imposto.
- Comerciários: 8,5 milhões (91% do setor) ficaram isentos.
- Indústria têxtil: 87% dos empregados não pagam IRPF.
- Metalúrgicos: 71% dos profissionais não sofrem mais retenção na fonte.
- Papeleiros: 69% também estão incluídos na isenção.
Setor de serviços e trabalhadores domésticos
- Trabalhadoras domésticas: 97% já não têm desconto.
- Hotelaria e alimentação: 96% sem IRPF no salário.
- Atividades administrativas e serviços complementares: 93% não pagam imposto.
- Artes, cultura, esporte e recreação: 91% isentos.
Agropecuária e serviços complementares
- Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura: 91% dos trabalhadores sem tributo.
- Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas: 91% contemplados.
Indústria de transformação
Mesmo em setores com salários médios historicamente maiores, como a indústria de transformação, cerca de 80% dos empregados em regime CLT passaram a se beneficiar. O resultado aponta para o amplo alcance da medida.
Impacto na renda e na economia nacional
O efeito mais perceptível da isenção do imposto para a faixa até R$ 5 mil está no aumento imediato do poder de compra. Parte expressiva desse recurso permanece no orçamento das famílias, destinando-se à aquisição de bens, contratação de serviços e estímulo à economia local.
Segundo estimativas do Dieese, esse fluxo extra de renda contribui para o giro da economia, fortalecendo setores como consumo, habitação, transporte, saúde e educação.
Além disso, o valor acrescido à renda dos celetistas e estatutários ameniza desigualdades históricas e favorece a circulação econômica nas regiões com menor desenvolvimento.
Diversidade e inclusão: quem mais se beneficia?
Mulheres negras são maioria entre os novos isentos
Entre todas as faixas contempladas, destaca-se a proporção de mulheres negras agora isentas do tributo: 92%. No caso de homens negros, 88% também entraram na mesma condição. Isso representa um avanço no combate à desigualdade racial e de gênero no mercado formal.
Para os homens não negros, 77% ficaram livres do desconto. Assim, a reforma contribui para corrigir déficits históricos no acesso à renda de grupos sub-representados.
Distribuição por gênero
Devido à participação majoritária dos homens no mercado de trabalho formal, estima-se que 8,9 milhões de homens sejam diretamente beneficiados pela mudança, enquanto o número de mulheres contempladas gira em torno de 6,2 milhões.
Redução do imposto para quem ganha até R$ 7.350
Para quem recebe entre R$ 5 mil e R$ 7.350 por mês, a medida não zerou o imposto, mas trouxe uma redução relevante na alíquota efetiva. Segundo os dados da Rais, esse grupo apresenta significativa concentração nos setores industriais, serviços especializados, administração pública e atividades técnicas, que agora encontram mais equilíbrio na carga tributária.
Assista o vídeo a seguir para conferir a nova faixa de isenção:
Como o Governo compensou a renúncia fiscal
Para cobrir o impacto da isenção ampla do IR, o Governo Lula aprovou, junto com a nova faixa, uma tributação progressiva maior para salários superiores a R$ 50 mil mensais. Aproximadamente 140 mil pessoas, grupo que representa menos de 1% dos declarantes, passaram a pagar alíquotas que variam e podem chegar a até 10% a mais, aumentando a justiça fiscal e a progressividade do sistema.
O que muda na prática para o trabalhador?
Para a maioria dos trabalhadores, a mudança já aparece no holerite, com mais dinheiro disponível ao fim do mês. O controle sobre as finanças pessoais e o poder de consumo aumentam, aliviando pressões do orçamento familiar e permitindo novas escolhas – seja investindo em educação, saúde, lazer ou pequenos negócios próprios.
O impacto é ainda mais significativo para aqueles que, historicamente, precisavam abrir mão de parte do salário para o imposto, mesmo recebendo valores próximos ao mínimo nacional.
Consequências sociais e econômicas da ampliação da isenção
O alívio tributário fortalece o consumo, reduz a desigualdade e incentiva o crescimento sustentável. Pessoas de diferentes segmentos, antes excluídas ou limitadas pelo imposto, agora participam mais ativamente da economia.
A medida, ao beneficiar setores com grande massa de trabalhadores e favorecer grupos vulneráveis, consolida um ciclo favorável para todos: famílias mais estáveis, empresas com maior demanda e arrecadação estatal mantida por meio da tributação sobre alta renda.
Perspectivas e debates para os próximos anos
A ampliação da isenção não encerra o debate sobre justiça tributária no Brasil. Especialistas defendem ajustes futuros, como a maior taxação de grandes fortunas e mecanismos para evitar distorções. O primeiro passo, contudo, já trouxe efeitos concretos para grande parte da população, especialmente em 2026.
A tendência é que, com a reestruturação, o país caminhe para um sistema fiscal mais proporcional, equilibrado e indutor de desenvolvimento social.
Perguntas Frequentes
- Quem tem direito à isenção total do imposto de renda em 2026? A isenção vale para trabalhadores formais (CLT e estatutários) que ganham até R$ 5 mil por mês.
- Quais categorias profissionais foram mais beneficiadas? Vestuário, comerciários, trabalhadoras domésticas, hotelaria, alimentação, agricultura, pecuária, setores de serviços e parte da indústria de transformação.
- Negros e mulheres realmente são maioria entre os beneficiados? Sim. 92% das mulheres negras e 88% dos homens negros com carteira assinada estão isentos.
- Quem recebe acima de R$ 5 mil também teve redução? Sim. Quem ganha de R$ 5 mil a R$ 7.350 passou a pagar menos imposto.
- Como ficou a situação para quem recebe mais de R$ 50 mil? Para esse grupo, houve aumento da alíquota, chegando a até 10% a mais em comparação com anos anteriores.












