A reforma tributária entra em uma fase decisiva em 2026 e marca o início da aplicação do novo modelo de cobrança de impostos sobre produtos e serviços no Brasil. As mudanças criam o IVA (Imposto sobre Valor Agregado), formado pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), além do Imposto Seletivo.
As novas regras fazem parte da regulamentação da reforma tributária, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicada no Diário Oficial da União (DOU), nesta quarta-feira (14). A proposta é simplificar regras, reduzir a burocracia e tornar a tributação mais justa para consumidores, empresas e famílias de baixa renda.
A seguir, veja o que mudou com a reforma tributária e como isso pode afetar o seu dia a dia.
Por que a reforma tributária era tão aguardada?
O antigo sistema tributário brasileiro era considerado um dos mais complexos do mundo, com regras diferentes entre estados e municípios e uma elevada carga burocrática para empresas e consumidores. Quem tem negócio próprio ou atua no comércio sabe o quanto era difícil calcular impostos, cumprir obrigações fiscais e entender quanto, de fato, pagava em tributos. A promessa da reforma é justamente simplificar o processo, aumentar a transparência e reduzir desigualdades.
Principais mudanças da reforma tributária de 2026
Fim da cobrança em cascata
Um dos grandes problemas antigos era a cobrança “em cascata”, onde um imposto era aplicado sobre o valor já tributado, aumentando ainda mais o preço final para o consumidor. Com a reforma, isso vai acabar graças à adoção do IVA (Imposto sobre Valor Agregado), que evita esse efeito multiplicador.
Novos impostos: CBS e IBS
- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) – substitui PIS e Cofins na esfera federal.
- IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) – substitui ICMS e ISS, trazendo uma regra única para todo o país.
Quem vai administrar o novo imposto (Comitê Gestor do IBS)
A reforma tributária também criou o Comitê Gestor do IBS, órgão responsável por administrar, fiscalizar e distribuir a arrecadação do novo imposto entre estados e municípios. Esse comitê terá atuação nacional e regras únicas, evitando conflitos entre governos locais e garantindo mais transparência na cobrança dos impostos.
Imposto Seletivo
Foi criado o Imposto Seletivo para produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente, como cigarros e bebidas alcoólicas. O intuito é desincentivar o consumo desses produtos e captar recursos para setores prioritários.
Redução ou isenção para itens essenciais
Alimentos da cesta básica, remédios e serviços de saúde podem ter imposto reduzido ou até zerado. Isso ajuda a controlar o aumento do custo de vida principalmente para as famílias mais vulneráveis.
Fim da guerra fiscal entre estados
Antes, cada estado oferecia benefícios próprios, gerando desigualdade e confusão para as empresas. Com a reforma, as regras para arrecadação e distribuição de recursos ficam mais justas, com fundos específicos para ajudar regiões menos desenvolvidas.

Quais benefícios a população pode esperar?
- Facilidade para entender e pagar impostos: O sistema ficará mais simples, sem tantas dúvidas na hora de comprar ou vender.
- Menos burocracia: Pequenas empresas principalmente vão ter menos obrigações, poupando tempo e dinheiro.
- Preços mais justos: Com o fim da cobrança em cascata e isenções para itens básicos, produtos essenciais tendem a ficar mais acessíveis.
- Apoio ao desenvolvimento regional: Estados mais pobres vão receber reforço no orçamento, ajudando a combater desigualdades.
- Devolução de impostos para famílias de baixa renda: A reforma tributária prevê mecanismos de devolução de parte dos impostos pagos no consumo, como forma de reduzir o peso da tributação para famílias de menor renda e tornar o sistema mais justo.
Ano de transição e período de adaptação
A legislação prevê que 2026 será um ano de adaptação ao novo sistema tributário. Nesse período, empresas, estados e municípios poderão testar sistemas, ajustar procedimentos e capacitar equipes, sem aplicação de punições para quem agir de boa-fé.
Durante a transição, que vai até 2033, o sistema antigo e o novo vão funcionar juntos, permitindo uma mudança gradual. Desde janeiro de 2026, as empresas já podem destacar os valores da CBS e do IBS nas notas fiscais, embora algumas exigências iniciais sejam facultativas e não atinjam empresas do Simples Nacional.
Quem será impactado pela reforma tributária em 2026?
A mudança atinge todos: Quem compra, vende ou presta serviços. Empresas devem se adaptar às novas regras de apuração dos impostos. Trabalhadores podem sentir efeitos no preço dos produtos e no rendimento do salário, principalmente em razão da expectativa de menor aumento de preços nos itens básicos.
Quem tem direito às isenções da reforma tributária?
- Quem compra alimentos da cesta básica.
- Quem utiliza remédios prescritos ou serviços de saúde reconhecidos.
- Famílias de baixa renda, que são as mais beneficiadas pela isenção de itens essenciais.
Documentos necessários
Para obter isenção nos itens previstos, basta apresentar CPF e, onde for exigido, o comprovante de renda ou receita médica no ato da compra. As regras específicas vão depender do tipo de produto e do canal de compra (farmácia, supermercado, posto de saúde).
Perguntas Frequentes
- Como saber se tenho direito à isenção em produtos essenciais?
Produtos da cesta básica, medicamentos e serviços de saúde têm redução ou isenção nos impostos. Basta conferir no ato da compra e sempre pedir a nota fiscal. - O que acontece se eu continuar pagando pelo sistema antigo?
Durante o período de transição (até 2033), os dois sistemas vão funcionar juntos. Sempre que possível, busque orientação de um contador ou pelo site da Receita para pagar corretamente pelo novo sistema. - Vai haver aumento de preços por causa da reforma?
Produtos essenciais tendem a ter redução ou manutenção de preço. Itens supérfluos ou prejudiciais à saúde podem ficar mais caros por causa do Imposto Seletivo. - Como posso tirar dúvidas sobre a reforma?
Informações atualizadas estão disponíveis nos canais oficiais da Receita Federal e do governo federal.












